Comer uma comida gostosa, ouvir música, praticar exercícios, fazer sexo, contemplar a natureza ou ajudar alguém parecem seis experiências muito diferentes. No cérebro, porém, todas acionam o sistema de recompensa e produzem formas distintas de prazer. Cada uma ativa circuitos e substâncias diferentes, com efeitos que vão da euforia ao relaxamento.

O prazer surgiu como um mecanismo evolutivo para aumentar a chance de as pessoas repetirem comportamentos importantes para a sobrevivência e para a vida em sociedade, afirma Diogo Haddad, neurologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

"O prazer funciona como um sinal biológico dizendo ao cérebro que aquela experiência foi benéfica e merece ser repetida", afirma. Além de gerar bem-estar, ele ajuda a consolidar memórias e orientar decisões futuras.

Embora a dopamina seja popularmente conhecida como a "molécula do prazer", essa definição é uma simplificação, afirma Haddad. O neurotransmissor está mais relacionado à motivação, à expectativa e ao aprendizado do que ao prazer propriamente dito.

A sensação de prazer envolve também outras substâncias, como opioides endógenos, serotonina, endocanabinoides e ocitocina.