Em julho de 2011, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o teleférico do Morro do Alemão, no Rio, e arriscou: "O Complexo do Alemão tem tudo para se transformar num ponto turístico". Bingo.

Quatro anos depois Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, viajou no teleférico e pontificou: "Estou me sentindo numa estação de esqui". Um ano depois a geringonça foi desativada e desativada está. Madame Lagarde, uma pessoa discreta, nunca produziu outra batatada desse calibre.

De lá para cá, a comunidade voltou ao noticiário em outubro do ano passado, quando a polícia do Rio chacinou 117 pessoas no morro do Alemão. Se aquela comunidade pode vir a ser um ponto turístico, pode abrigar o Museu da Empulhação, um repositório de todas as presepadas prometidas por presidentes, governadores e prefeitos.

O Alemão já viu de tudo. Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Teleférico e Unidade de Polícia Pacificadora. Uma operação militar foi saudada como a tomada de Berlim em 1945, teve bandeira hasteada no topo do morro e resultou em nada. Um paspalho fantasiado de Rambo ilustrou a enganação do evento.

A iniciativa de maior alcance levada ao Alemão partiu do Judiciário, pelo Programa Solo Seguro. Em 2023, a Corregedoria Nacional de Justiça entregou 180 escrituras definitivas a moradores da comunidade facilitando-lhes a vida comercial. A proeza custou a impressão das escrituras, a ajuda dos cartórios e o trabalho de 17 pessoas, duas da Corregedoria, mais 15 da prefeitura. Ideia do então corregedor Luis Felipe Salomão.