Em seu segundo dia à frente do governo britânico, o trabalhista Andy Burnham anunciou o corte da tributação da energia elétrica como primeira medida de alívio às famílias. Pequeno aceno de sua agenda "socialista pró-negócios" aos eleitores, a iniciativa sugere que sua gestão poderá recorrer a soluções de viés populista para enfrentar a crise econômica.

Sucessor do premiê Keir Starmer, que renunciou em junho em meio a escândalos e à perda de apoio parlamentar, Burnham herda a mesma conjuntura adversa que derrubou seus seis antecessores em apenas 10 anos e alimentou o crescimento dos partidos de extrema direita.

O declínio econômico do Reino Unido agravou-se após o brexit. Estudo de pesquisadores das universidades Stanford, Nottingham e King’s College de Londres estima que o brexit deixou o PIB britânico, em 2025, de 6% a 8% abaixo do nível que teria alcançado sem a saída da União Europeia.

O investimento privado caiu 18%, o país deixou de criar 1,8 milhão de empregos e um eventual retorno ao mercado único europeu está fora do horizonte.

Burnham assumiu o número 10 de Downing Street prometendo recolocar o país na rota do crescimento em uma década. Apresenta como credencial a recuperação de Manchester, onde governou por sete anos e conduziu uma expansão econômica superior à média nacional.