PUBLICIDADE Governo afirma que eliminação do IVA sobre contas de eletricidade será financiada com fim de programa de Starmer; ex-ministro e especialistas contestam origem dos recursos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, faz seu primeiro discurso em frente ao número 10 da Downing Street, em Londres, após ser encarregado pelo rei de formar o novo governo — Foto: Henry Nicholls/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 10:50 Andy Burnham elimina imposto de energia e busca aliviar famílias O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, anunciou a eliminação do imposto de 5% sobre as contas de energia como primeira medida para aliviar o custo de vida. A decisão, que deve economizar £ 45 por família, será financiada, segundo o governo, pela extinção do programa de identidade digital. No entanto, a origem dos recursos foi questionada por ex-ministros e especialistas. Burnham busca reconquistar eleitores trabalhistas e estuda outras medidas para reduzir o custo de vida. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No segundo dia de seu mandato como primeiro-ministro, Andy Burnham anunciou que o Reino Unido eliminará o imposto de 5% sobre as contas de energia a partir de outubro. A primeira de várias políticas esperadas para dar às famílias mais “fôlego” diante do custo de vida retira o imposto sobre o valor agregado (IVA) das contas residenciais de eletricidade — medida que, segundo o governo, economizará em média £ 45 (R$ 306) por ano para cada família. A iniciativa, porém, foi recebida com questionamentos sobre sua fonte de financiamento, após o governo afirmar que o corte de impostos será custeado com a extinção do programa de identidade digital herdado da gestão de Keir Starmer. “Estamos tomando medidas imediatas para reduzir os impostos sobre a eletricidade, colocar mais dinheiro no bolso das pessoas e restaurar a esperança. Eu disse que queria dar um respiro às pessoas, e é isso que estou anunciando no meu segundo dia como primeiro-ministro”, disse Burnham em comunicado. Com isso, ele dá o primeiro passo para reconquistar eleitores trabalhistas decepcionados com o governo formado por seu antecessor em 2024, quando o Partido Trabalhista pôs fim a 14 anos de governos conservadores. Na mesma nota, o gabinete de Burnham afirmou que a política custará £ 850 milhões em 2026-27 (R$ 5 bilhões). Autoridades estimam que a nova medida reduzirá a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) em cerca de 0,10 ponto percentual e a inflação medida pelo índice de preços de varejo (RPI) em aproximadamente 0,14 ponto percentual. Segundo o governo britânico, a medida valerá, por enquanto, apenas para este ano fiscal e será custeada com a extinção do programa de identidade digital, que, de acordo com Burnham, geraria uma economia de £ 1,8 bilhão ao longo dos próximos três anos. A forma de financiamento da medida, no entanto, provocou questionamentos. Darren Jones, ex-ministro do governo de Starmer, afirmou que o programa de identidade digital nunca teve recursos reservados, o que, segundo ele, impede que sua extinção financie o corte de impostos — e obriga o governo a ter de detalhar a origem dos recursos no próximo Orçamento. O mesmo foi dito pela diretora do centro de estudos Resolution Foundation, Ruth Curtice, que também questionou a proposta apresentada pelo governo, indicando que o premier não disse de onde virão os recursos para compensar a perda de arrecadação. — Na verdade, hoje não nos disseram de onde virá esse dinheiro... [A medida] é temporária ou não tem financiamento — afirmou Curtice. O corte do IVA representa uma mudança em relação à política do governo anterior para o apoio às famílias durante o inverno. A ex-chanceler Rachel Reeves havia afirmado que trabalhava em um programa de ajuda direcionado apenas aos consumidores mais vulneráveis. Já a medida anunciada por Burnham beneficiará todos os consumidores residenciais de eletricidade. O Reino Unido enfrenta alguns dos custos de energia mais elevados entre países desenvolvidos. Os preços dispararam após a invasão da Ucrânia, em 2022, e permaneceram elevados, especialmente desde o início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro. Neste mês, as famílias britânicas registraram o maior aumento nas contas de energia desde 2023, impulsionado pela alta dos preços do gás e da eletricidade no mercado atacadista. O teto tarifário, que limita o valor cobrado pelas fornecedoras, será atualizado novamente no fim de agosto e entrará em vigor em outubro, no início da temporada de aquecimento. A proposta de eliminar o IVA das contas de energia já havia sido criticada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que classificou a medida como “cara” e de “pequeno impacto sobre a inflação”. O centro de estudos Institute for Fiscal Studies também avaliou que a política beneficiaria proporcionalmente mais as famílias de baixa renda, mas, em valores absolutos, favoreceria mais os domicílios de renda mais elevada. “Ao oferecer mais apoio àqueles que consomem mais energia, eliminar o IVA seria bem direcionado para quem enfrenta os maiores aumentos nas contas de energia, mas não para aqueles — os mais pobres — que têm menor capacidade de lidar com o aumento dos custos”, disse o instituto. Além do corte no imposto sobre a eletricidade, Burnham afirmou que estuda novas medidas para reduzir o custo de vida, incluindo um possível teto para as tarifas de ônibus e um congelamento dos aluguéis. O governo, no entanto, disse que ainda é cedo para confirmar se essas propostas farão parte de um pacote mais amplo, acrescentando que qualquer medida adicional, incluindo o financiamento de políticas de longo prazo, será tomada no Orçamento, e que todas as decisões nessa ocasião serão financiadas e compatíveis com as regras fiscais. As medidas foram anunciadas um dia depois de Burnham assumir o cargo e concluir a formação de seu gabinete. O novo premier reuniu nesta terça-feira sua equipe ministerial, da qual ficaram de fora aliados de Starmer — medida que a imprensa britânica classificou como “expurgo”. Entre as principais alterações está a nomeação de John Healey para o Ministério das Finanças, substituindo Rachel Reeves, e o retorno de Wes Streeting ao governo, agora como secretário da Defesa. Ao mesmo tempo, Ed Miliband assumiu o Ministério das Relações Exteriores, Shabana Mahmood permaneceu à frente do Ministério do Interior e Angela Rayner voltou ao comando do Ministério da Habitação. Burnham afirmou ainda que seu governo pretende apresentar um plano de dez anos para “recolocar o país no rumo certo”. Segundo ele, o projeto incluirá uma reforma do sistema educacional, a reindustrialização do Reino Unido, a construção de moradias sociais e o compromisso de erradicar o problema das pessoas em situação de rua. No campo internacional, reiterou apoio “de 100%” ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e afirmou, após conversar por telefone com Donald Trump, seu compromisso com a defesa e a segurança. Na Truth Social, o americano afirmou que Burnham “tem uma grande tarefa pela frente”, mas disse que os EUA “estarão lá para ajudá-lo”. (Com Bloomberg e AFP)
Novo premier britânico corta imposto sobre contas de energia em primeira medida para aliviar custo de vida
Governo afirma que eliminação do IVA sobre contas de eletricidade será financiada com fim de programa de Starmer; ex-ministro e especialistas contestam origem dos recursos










