Quando o Google se preparava para abrir capital em 2004, Larry Page, um dos cofundadores da empresa, escreveu uma carta aos acionistas descrevendo a responsabilidade da empresa de internet com o mundo.

"Acreditamos que uma sociedade que funciona bem deve ter acesso abundante, gratuito e imparcial a informações de alta qualidade", disse Page.

O Google cumpriu essa responsabilidade atuando como um portal para a internet. A empresa respondia às consultas de busca das pessoas com listas de hiperlinks, direcionando os usuários para o que é conhecido como "web aberta" —os milhões de sites administrados por comerciantes, editores, universidades e outros— para mais informações. Nas décadas seguintes, o Google se tornou uma das empresas mais ricas e poderosas do planeta ao direcionar pessoas para a vastidão da web aberta.

Agora, na era da inteligência artificial, o Google parece estar recuando da web aberta —e pode estar colocando-a em risco.

Desde o ano passado, a gigante do Vale do Silício reformulou suas buscas com IA. Ela introduziu o Modo IA, que substitui os resultados de busca com hiperlinks por respostas conversacionais escritas pelo Gemini, seu chatbot de IA. Mais recentemente, o Google mudou sua icônica caixa de busca pela primeira vez em 25 anos para que as pessoas pudessem adicionar fotos e vídeos às suas consultas e designar "agentes" de IA para executar buscas por elas.