Qualquer pessoa que tenha navegado pelas redes sociais nesta semana cruzou provavelmente com um vídeo que fez muita gente chorar e acalentou a criança interior de tantos adultos: a garota Antonela, de 8 anos, falando sobre a morte da mãe para a repórter Bianka Carvalho, da Globo em Pernambuco.
O episódio levantou um questionamento: afinal, uma jornalista pode entrevistar uma criança em luto?
A resposta curta é sim. O trabalho da repórter Bianka Carvalho, aliado a pesquisas do campo da comunicação, mostra que essa escuta atenta é, na verdade, uma forma de garantir a agência e a cidadania da criança.
A entrevista que subverteu a lógica da exclusão das vozes das crianças nos espaços de decisão e debate público ocorreu na edição do telejornal NE1 de quinta-feira (16), durante a cobertura da Festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife.
Bianka conversou com a pequena Antonela, que acompanhava a celebração religiosa. Era o sonho da menina aparecer na televisão. Ao ser abordada, não apenas confidenciou esse desejo, mas viu credibilidade naquela adulta. Em um mundo onde as mídias digitais são tão onipresentes, é extremamente simbólico que a criança tenha confiado seus sentimentos a uma jornalista empunhando um microfone tradicional, tendo a certeza de que estava sendo ouvida.









