Defensores da tecnologia afirmam que propulsão tradicional e elétrica juntas podem ajudar as aeronaves a atingir maiores altitudes mais rapidamente e reduzir o consumo de combustível A GE Aerospace realizou o primeiro voo em grande altitude do mundo assistido por propulsão híbrido-elétrica, informou a empresa nesta segunda-feira (20), como parte de um conjunto de tecnologias para futuros motores a jato que está sendo apresentado na edição deste ano do Farnborough Airshow. O voo acima de 30 mil pés foi realizado por uma aeronave Saab 340 que vinha conduzindo discretamente testes semelhantes desde maio, incluindo uma viagem pioneira através do Atlântico com escalas, culminando em sua estreia no evento aeroespacial. A pesquisa está sendo realizada em cooperação com a agência aeroespacial dos Estados Unidos, a Nasa, e a empresa de tecnologia aeroespacial elétrica Beta Technologies, e ocorre em um momento em que fabricantes de motores desenvolvem os blocos fundamentais para motores destinados a equipar potenciais sucessores do Boeing 737 e do Airbus A320neo. Defensores da tecnologia afirmam que a combinação entre propulsão tradicional e elétrica pode ser utilizada quando necessário para ajudar as aeronaves a atingir maiores altitudes mais rapidamente, além de contribuir para ambiciosas metas de redução do consumo de combustível e das emissões. “Isso leva ao próximo passo na propulsão aeronáutica”, disse o diretor-presidente da Beta, Kyle Clark, em uma coletiva de imprensa. A hibridização é uma das quatro principais áreas de pesquisa do conceito de motor Rise, que está sendo testado pela CFM, fabricante de motores controlada conjuntamente pela GE e pela francesa Safran. O projeto também inclui um design radical de motor de rotor aberto (“open fan”), embora a empresa também esteja trabalhando em uma alternativa tradicional com carenagem, chamada AD-L ou ADNB, informou anteriormente a Reuters. Após anos de ilustrações conceituais e imagens computadorizadas em eventos desse tipo, os fabricantes de motores competem para demonstrar avanços rumo às economias de combustível e à durabilidade exigidas para a próxima geração de motores, prevista para o fim da próxima década. “As simulações deram lugar à inovação no mundo real” afirmou Mohamed Ali, diretor-presidente da divisão de motores comerciais da GE Aerospace. ‘Tecnologia habilitadora’ As concorrentes da GE, Pratt & Whitney e Rolls-Royce, devem divulgar atualizações sobre suas próprias pesquisas em motores ao longo desta semana. Ali se recusou a detalhar como o sistema híbrido de alta voltagem, que substitui um dos motores convencionais na aeronave de testes Saab 340, poderia ser incorporado a um futuro produto. “Isso certamente se tornaria uma importante tecnologia habilitadora”, afirmou. Fontes do setor afirmam que a Boeing, que demonstrou menos disposição do que a Airbus para adotar o conceito de rotor aberto, tem algumas preocupações em relação ao peso desse tipo de sistema híbrido, que inclui três entradas de ar adicionais para refrigeração no motor exibido no evento. Ali afirmou que os compromissos entre peso e desempenho fazem parte do processo normal de desenvolvimento de um motor para uso comercial. Funcionários trabalhando em fábrica da GE Aerospace — Foto: Divulgação/GE Aerospace