As tarifas de importação são elevadas em relação a outros países emergentes e desenvolvidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Brasil taxa veículos eletrificados em 35% — Foto: Marcos Nunes / Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 22:25 Tarifa de 35% em elétricos no Brasil desafia descarbonização e favorece China O Brasil é historicamente protecionista, com tarifas de importação elevadas para proteger a indústria local. Recentemente, foi imposta uma tarifa de 35% sobre veículos eletrificados, afetando a descarbonização. Enquanto fabricantes chineses investem no país, a indústria local ainda não se adaptou aos elétricos. Além disso, a política tarifária de Trump impacta o Brasil, mas a exportação para a China cresce. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil é protecionista. Há décadas. Isso significa que as tarifas de importação são elevadas em relação a outros países emergentes e desenvolvidos. Há uma lógica por trás disso. Trata-se de uma vertente de política econômica que, simplificando, indica que o país deve proteger sua indústria da concorrência externa. O objetivo é dar tempo para que a produção local se desenvolva. Temos um exemplo bem atual: a partir deste mês, todo veículo eletrificado que entrar no Brasil pagará um imposto de importação de 35%. Trata-se de um tarifaço, o nível mais alto permitido pelas regras da Organização Mundial do Comércio. De 2016 a 2023, a importação de elétricos foi praticamente isenta. O objetivo era a descarbonização da frota brasileira. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) manifestou-se contra, mas deixou passar. Isso porque a importação de elétricos era marginal. Vinham poucos carros, quase não havia tomadas de recarga das baterias, e os veículos eram caros. O cenário mudou rapidamente. E continua mudando. Em maio último, foram emplacados cerca de 45 mil carros elétricos ou híbridos, um espetacular aumento de 170% em relação ao mesmo período do ano passado. Antecipando esse cenário, a Anfavea vinha pressionando o governo para impor restrições à entrada desses veículos, quase todos vindos da China. Foi atendida. Os elétricos começaram a ser taxados em 2024, com tarifas entre 10% e 12%. Subiram ao longo do período, até os 35% de hoje. Os produtores locais de carros a combustão ganharam mais essa. O programa de descarbonização foi adiado. Por outro lado, fabricantes chineses, como a BYD, instalaram montadoras no Brasil. Mas não produzem. Importam peças da China e montam os veículos aqui — aproveitando que a importação de peças paga imposto menor. E agora quem reclama são os produtores brasileiros de peças. Por aí se vê como funciona uma política protecionista. Também se verifica como o resultado é pífio. A indústria automobilística nacional sempre foi protegida. Houve um tempo em que era simplesmente proibido importar carros — e mais uma longa lista de produtos industrializados, especialmente eletrônicos. Sem concorrência, a indústria brasileira não precisava se preocupar com ganhos de eficiência para entregar produtos mais atualizados. Quando caíram as barreiras de importação e começaram a chegar os importados, foi aquela vergonha. Os nacionais eram as “carroças”. Aconteceu de novo. Apesar de protegida e recebendo subsídios do governo, a indústria local foi incapaz de entrar na era dos elétricos. Resultado: tarifa pesada nos importados. Tudo considerado, a economia brasileira é fechada. Tem tarifas de importação entre as mais altas do mundo. E agora tem o Trump. Até sua gestão, a economia americana era a mais aberta do mundo. Mas Trump acha que os países que exportam para os Estados Unidos estão roubando seu país. E usa as tarifas politicamente para, como ele diz, punir os governos que não se alinham aos Estados Unidos. De maneira que o Brasil está diante de dois problemas. Um, de longo prazo, é a ineficiência do nosso protecionismo. O país permanece de renda média-baixa e a economia brasileira está entre as de menor produtividade. O segundo problema, do momento, é como lidar com Trump. Dadas as circunstâncias, pode-se dizer que algo saiu razoavelmente bem. A área técnica do governo e, sobretudo, as empresas brasileiras, com seus clientes americanos, conseguiram várias exceções na lista de tarifados. Alguns setores específicos, como a indústria de calçados, sofrem perdas enormes com as tarifas americanas. Mas, no conjunto, a exportação total do Brasil continua em alta. Vende-se menos para os Estados Unidos, mais para a China. E Lula, aproveitando-se dos enormes equívocos do bolsonarismo, ganhou um trunfo eleitoral. Trump quer prejudicar o Brasil, os Bolsonaros estão com Trump, logo eis aí o inimigo da pátria. E com isso, a questão estrutural do atraso da economia brasileira sequer aparece na campanha.
Brasil também é protecionista
As tarifas de importação são elevadas em relação a outros países emergentes e desenvolvidos
771 words~4 min read






