Rol de animais sob risco de extinção aumentou de 774 para 790, em razão das mudanças climáticas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A arara-azul-grande passou a integrar a lista de espécies ameaçadas — Foto: : Roberta Kraemer/Instituto Arara Azul/Divulgação O Ministério do Meio Ambiente ampliou de 774 para 790 a lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil. A principal causa são as mudanças climáticas. Eventos extremos como secas ou enchentes têm destruído os refúgios naturais das espécies numa velocidade superior à sua capacidade de adaptação. O caso da arara-azul-grande é exemplar. Nos anos 1980 e 1990, a população da ave sofreu grande declínio em razão do contrabando de animais silvestres e do avanço do desmatamento na expansão da fronteira agrícola. Houve iniciativas para reverter a tendência, com a criação de uma fundação para protegê-la e ações contra o tráfico de animais. A espécie de arara saiu da lista em 2014, mas voltou agora em virtude dos incêndios no Pantanal, seu principal hábitat. Em 2024, 15% da região pantaneira foi destruída pelas chamas. “É o que motivou o retorno da arara-azul à lista de vulneráveis à extinção”, diz Rodrigo Gerhardt, gerente de Campanhas da Vida Silvestre da World Animal Protection (WAP). “O cenário exige que as políticas públicas de conservação e os planos de ação nacionais integrem, de forma indissociável, o combate à crise climática e a restauração ecológica rigorosa.” O Brasil já passou do ponto de que estancar o desmatamento era suficiente para preservar a fauna. Hoje é preciso não só protegê-la, como reintroduzir espécies em florestas e campos. Gerhardt lamenta que espécies recém-descritas pela ciência, ainda pouco conhecidas, estejam na relação daquelas sob risco de extinção. Um exemplo é o zogue-zogue-do-Mato-Grosso, vítima do desmatamento. Estudo publicado na revista Scientific Reports em 2022 apontou-o como um dos primatas mais ameaçados no Sul da Amazônia, com perspectiva de desaparecimento, caso o ritmo da destruição florestal continuasse. Em grandes números, o desmatamento retrocedeu nos últimos anos, mas não evitou que o zogue-zogue entrasse na última lista da fauna sob ameaça de extinção, na companhia de espécies como bugio-preto ou tamanduaí, o menor dos tamanduás. O acompanhamento das condições da fauna permite que haja ações para impedir que espécies desapareçam. O país tem experiências bem-sucedidas na revitalização de espécies. O Projeto Tamar, lançado nos anos 1980, impediu o desaparecimento de tartarugas marinhas no litoral brasileiro. A vida silvestre deve ser preservada para o bem da própria agricultura. Até bactérias podem ajudar o produtor rural. A pesquisadora brasileira Mariângela Hungria, da Embrapa, ganhou no ano passado o World Food Prize, mais importante prêmio do mundo dado a cientistas que se dedicam à agricultura, por ter desenvolvido a tecnologia de inoculação de bactérias em sementes para reduzir o uso de fertilizantes químicos, com menor emissão de carbono e aumento de produtividade. Cabe aos governos adotar e disseminar uma visão ampla e integrada do setor agrícola que inclua a preservação da vida silvestre. Para o bem de todos, inclusive do agronegócio.