Primatas como o bugio-preto (Alouatta caraya) e o zogue-zogue-do-mato-grosso (Plecturocebus grovesi) também entraram em nova versão da lista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Arara-azul-grande voltou para lista de animais ameaçados — Foto: Márcia Foletto/26-7-2025 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 22:19 Número de Espécies Ameaçadas no Brasil Aumenta para 798 A lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil foi atualizada, incluindo agora 798 animais, um aumento significativo em relação aos 774 anteriores. Queimadas e eventos climáticos extremos são fatores críticos para o retorno da arara-azul-grande à lista. Espécies como o tamanduaí, o bugio-preto e o zogue-zogue-do-mato-grosso também foram adicionadas. A atualização reforça a urgência nas políticas de conservação e combate às mudanças climáticas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A já vasta lista de espécies oficialmente ameaçadas de extinção foi atualizada e passou a incluir uma nova leva de animais sob risco de desaparecimento em todo o território nacional, que vai da maior arara do mundo ao menor dos tamanduás. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), 180 representantes da fauna brasileira receberam a classificação — o número total de ameaçados subiu de 774 para 790. No caso da arara-azul-grande (anodorhynchus hyacinthinus), o perigo vem das queimadas, agravadas pelos extremos no clima, segundo especialistas. A espécie até havia deixado a lista em 2014, mas voltou a integrá-la nesta nova versão. — A principal a população está no Pantanal e a região sofreu com incêndios há dois anos — diz o biólogo Fernando Pacheco, do Comitê Brasileiro de Registro Ornitológico, que lembra que há outra população da espécie no Pará. — O sul do estado também sofreu com incêndio naquela seca drástica na Amazônia. Habitat das araras e de seus ninhos e filhotes, o Pantanal é a região que mais sofre com o fogo no país e tem registrado nos últimos anos grandes incêndios. Em 2024, por exemplo, 15% do território pantaneiro foi arrasado pelas chamas. Outra espécie que também passou a integrar a lista é o tamanduaí (Cyclopes rufus), pequenos tamanduás que medem cerca de 30 centímetros e pesam até 400 gramas. Solitários e de hábitos noturnos, eles passam a maior parte do tempo no alto das árvores, onde se alimentam de formigas. No Brasil, a espécie é encontrada na Amazônia, mas também habita áreas de manguezais e restingas no Nordeste brasileiro, desde o Delta do Parnaíba até os Lençóis Maranhenses. Saúde da biodiversidade Primatas como o bugio-preto (Alouatta caraya) e o zogue-zogue-do-mato-grosso (Plecturocebus grovesi) também receberam a classificação. Gerente de Campanhas de Vida Silvestre da World Animal Protection (WAP), Rodrigo Gerhardt afirma que a inclusão de espécies na chamada Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, publicada e atualizada desde 1968, é um alerta urgente sobre a saúde da nossa biodiversidade. — O aumento líquido no número de animais sob risco reflete o impacto devastador da fragilização contínua dos habitats brasileiros, que vivem um processo de defaunação impulsionado pelo desmatamento ilegal, pelo avanço desordenado da fronteira agropecuária e pela fragmentação dos ecossistemas originários — afirma. — É triste observar que espécies recém descritas pela Ciência e ainda pouco conhecidas dos brasileiros, como zogue-zogue-do-mato-grosso, situada no arco do desmatamento da Amazônia, já estão classificadas em perigo de extinção. Casal adulto de bugios-pretos — Foto: Italo Mourthe Gerhardt afirma ainda que os eventos extremos causados pelas mudanças climáticas destroem refúgios naturais das espécies em um ritmo superior à capacidade de adaptação. — É o caso que motivou o retorno da arara-azul à lista de vulneráveis à extinção. Este cenário exige que as políticas públicas de conservação e os planos de ação nacionais integrem, de forma indissociável, o combate à crise climática e a restauração ecológica rigorosa, incluindo a refaunação dos ecossistemas. Sem isso, as listas oficiais continuarão a crescer, documentando o desaparecimento silencioso da nossa maior riqueza. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a atualização “revela uma dinâmica muito mais ampla do que o crescimento líquido dos registros” e reflete “tanto alterações reais no estado de conservação quanto o avanço do conhecimento científico sobre a biodiversidade brasileira”. “A inclusão de uma espécie na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção indica que ela enfrenta risco significativo de desaparecimento e passa a ser reconhecida legalmente como prioritária para ações de conservação. Essa classificação fortalece mecanismos de proteção, orienta políticas públicas, amplia a mobilização institucional e contribui para evitar a extinção das espécies”, explica o ICMBio. A revisão também resultou na retirada de 156 espécies da lista. Segundo o instituto, espécies deixaram a lista por razão de revisões taxonômicas, enquanto outras entraram em outras categorias, como “menos preocupante”, “quase ameaçada” ou “dados insuficientes”. A retirada da lista também pode indicar resultados positivos alcançados por práticas de conservação. Diferentes níveis Também constam na lista de espécies ameaçadas as aves araponga-do-nordeste, surucuá-de-murici e coruja-de-Alagoas, além do sapinho-admirável-de-barriga-vermelha e do tatu-canastra. Animais como o mico-leão-dourado, a onça-pintada e o boto-cor-de-rosa seguem entre os ameaçados. Tamanduaí (Cyclopes rufus) — Foto: Alexandre Mendonça Entre as espécies ameaçadas, 168 estão classificadas como criticamente em perigo. Dessas, 25 são consideradas possivelmente extintas. O número de espécies extintas permaneceu o mesmo, com nove animais, entre elas a perereca-gladiadora-de-sino, que não é registrada desde 1962. Outras 285 estão na categoria “em perigo” e 336 são classificadas como “vulneráveis”. Uma espécie, o mutum-do-nordeste, está na categoria extinta na natureza por ter espécimes em cativeiro. A maior parte dos animais que integram a lista são invertebrados, que contam 264 espécies ou subespécies ameaçadas de extinção. Em seguida aparecem as aves (242), os répteis (123), os mamíferos (102) e os anfíbios (59).
Queimadas e eventos extremos: por que animais como a arara-azul entraram na lista de ameaçados de extinção
Primatas como o bugio-preto (Alouatta caraya) e o zogue-zogue-do-mato-grosso (Plecturocebus grovesi) também entraram em nova versão da lista







