As tarifas adotadas por Donald Trump deixaram de ser um instrumento para reequilibrar o comércio internacional e passaram a funcionar como uma ferramenta de pressão política. A avaliação é do cientista político Abraham Newman, professor da Universidade Georgetown, para quem o governo americano utiliza a política comercial para enfraquecer adversários, beneficiar aliados e ampliar sua capacidade de impor exigências a outros países.
Em entrevista à Folha, Newman diz que o Brasil exemplifica essa mudança de lógica. Apesar de os Estados Unidos registrarem superávit comercial na relação bilateral, o país se tornou um dos principais alvos das tarifas por motivos que vão além da economia.
O pesquisador afirma que a aproximação entre Trump e a família Bolsonaro ajuda a explicar parte dessa estratégia, embora avalie que ela possa acabar fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para ele, Trump não busca negociar um novo equilíbrio nas relações comerciais. "O objetivo não é redefinir a relação. O objetivo é criar um sistema de dominação", diz. Para ele, a sucessão de ameaças tarifárias funciona como um mecanismo permanente para obter concessões de governos estrangeiros.













