Em vídeo publicado no sábado (18), Flávio diz que ministro do Supremp tenta desequilibrar a eleição, como teria feito em 2022 Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmaram em reserva ao Valor que declarações recentes do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre Alexandre de Moraes fragilizam a imagem de que o político é mais "moderado" que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em vídeo divulgado na sexta-feira (17), após Moraes barrar visitas a Bolsonaro por 30 dias, Flávio afirmou que o ministro desequilibrou as eleições de 2022 e tenta interferir novamente na disputa deste ano. Também qualificou a proibição como “vingança”. No sábado (18), ele subiu o tom em discurso feito no Espírito Santo. O senador disse que não irá "abaixar a cabeça" para “tirano nenhum” e que Moraes “parece sem alma” e usado por um “demônio” para “fazer mal para os outros, rasgando a lei, rasgando a Constituição”. Segundo ministros, as declarações contrariam a imagem de “moderado” que Flávio tenta passar. Eles também afirmam que a conduta é semelhante à adotada por Bolsonaro em 2022, quando o então presidente dirigiu ataques a Moraes e chegou a chamar o ministro de “canalha”. “Ele [Flávio] mostrou que não tem muita diferença em relação ao pai”, disse um integrante da Corte. Outros ministros tentaram refletir sobre os motivos das declarações recentes de Flávio. Um deles disse que o senador está fragilizado desde que foram reveladas as relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, crise que teria se acentuada pelo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Outro integrante do Supremo tem a leitura de que Flávio quer explorar a influência de seu pai para faturar eleitoralmente, o que a decisão de Moraes barrou em parte. Além de proibir visitas sociais por 30 dias, o ministro vetou encontros com “finalidade político-partidária” até depois das eleições. Foi barrada ainda a divulgação de manifestos de Bolsonaro, inclusive “por meio de terceiros” e “independentemente do meio utilizado”. Para o ministro, Flávio, que está caindo nas pesquisas, pode ter escolhido “bater” no Supremo como parte de uma estratégia para ser mais competitivo nas eleições. Eleger a Corte como inimiga, prossegue, “pega mal” internamente e pode prejudicar o senador. Entenda Na sexta, Moraes definiu que Bolsonaro não poderá receber visitas “com finalidade político-eleitoral” até o término das eleições de 2026. Também barrou a divulgação de manifestos, inclusive “por intermédio de terceiros”. A decisão leva em conta a carta de Bolsonaro divulgada por Flávio durante uma live realizada na semana passada. Para o ministro, a publicização do material violou a cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. “Patente, portanto, o desrespeito de Jair Bolsonaro à medida cautelar, cuja fiel observância é requisito obrigatório para o cumprimento da prisão domiciliar humanitária. Os benefícios de sua prisão domiciliar humanitária não podem acarretar odiosos privilégios contrários à legislação e autorizar flagrante desobediência às decisões judiciais, inclusive por seus advogados”. Na carta, Bolsonaro colocou seu primogênito como “porta-voz” e pediu unidade em torno da campanha de Flávio. Segundo a defesa, o ex-presidente “jamais soube” que o material se tornaria público, “tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes para esse fim”. Moraes afirma que Bolsonaro sabia que a carta seria divulgada, uma vez que ela é direcionada “aos brasileiros”. Também disse que o episódio tem clara “finalidade político-eleitoral”. Nos bastidores, aliados do senador procurados pela reportagem minimizaram o resultado de pesquisas eleitorais recentes, como da Genial/ Quaest, que mostram a vantagem de Lula em relação a Flávio, e afirmaram que o presidenciável do PL "tem apresentado estabilização consolidada". Moraes durante sessão de julgamento na Primeira Turma do STF, acusado por Flávio de agir por "vingança" — Foto: Luiz Silveira/STF
Para ministros do STF, declarações de Flávio sobre Moraes fragilizam imagem de moderado
Em vídeo publicado no sábado (18), Flávio diz que ministro do Supremp tenta desequilibrar a eleição, como teria feito em 2022














