Equipe do senador acusa Moraes de “clara atitude de dois pesos e duas medidas na atuação do Judiciário” ao barrar visita a Jair Bolsonaro Senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência — Foto: Carlos Moura/Agência Senado A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto aposta na tese da perseguição política e desproporcionalidade de tratamento para questionar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que suspendeu visitas de Flávio ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por 90 dias. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN) acusa Moraes de “interferência política” e admitiu efeitos eleitorais da medida. “É evidente que atrapalha. Me parece que termina impedindo que o maior líder da direita se comunique com o seu pré-candidato, que, por acaso, é seu filho”, afirmou. Articuladores da campanha de Flávio traçam paralelos com o episódio da prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2018, quando o petista manteve interlocução com aliados e permissão para conceder entrevistas, além de divulgar cartas. A tese é rebatida por petistas, que refutam a narrativa de perseguição e afirmam que, naquela época, não havia cautelares proibindo manifestações públicas de Lula. A equipe de Flávio acusa Moraes de “clara atitude de dois pesos e duas medidas na atuação do Judiciário”, quando comparada ao tratamento dado ao presidente Lula no período de prisão. E alega que, entre abril de 2018 e novembro de 2019, Lula escreveu dezenas de cartas, que mensagens de conteúdo político-eleitoral circularam livremente e foram utilizadas pelo PT para influenciar o debate eleitoral, sem que isso resultasse em restrições judiciais. Marinho classificou de “autoritária” e “desproporcional” a decisão do ministro. “A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político”, disse o senador em nota. Segundo o senador, a medida “reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual”. Ele cita também “contraste evidente” e argumenta que o presidente Lula manteve interlocução política com aliados enquanto esteve preso além de conceder entrevistas à imprensa. “Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento”, diz a nota. Por outro lado, governistas afastam a tese e avaliam que, ao desrespeitar a cautelar, Flávio sabia que estava indo contra decisão judicial: “Flávio Bolsonaro não leu a carta de Jair Bolsonaro por ingenuidade. Sabia que a decisão judicial proibia o uso das redes sociais, direta ou indiretamente, e transformou a própria violação da medida cautelar em estratégia política. A decisão de Alexandre de Moraes que impede encontros entre os dois por 90 dias é consequência desse comportamento”, argumentou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). “A comparação com as cartas de Lula não faz sentido. Naquele caso, não existia decisão judicial proibindo manifestações públicas. Aqui, a cautelar é expressa: Jair Bolsonaro não pode utilizar suas redes nem se valer de terceiros para transmitir suas mensagens. A tentativa de contornar essa determinação era evidente”, completou o petista. Ao Valor, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou que Moraes buscou com a decisão afastar a interlocução entre Flávio e Jair de forma a atrapalhar eleitoralmente a campanha. “Ele tomou essa decisão para o Flávio ficar 90 dias fora das eleições, sem entrar em contato com o pai, ajudando diretamente mais uma vez o governo petista. Lamentamos profundamente a ação que a Suprema Corte, ou melhor, a triste situação que a Suprema Corte do nosso país se encontra, inclusive tirando toda a credibilidade do poder judiciário brasileiro”, declarou. Os irmãos de Flávio Bolsonaro criticaram a decisão. O ex-vereador Carlos Bolsonaro destacou que o irmão é também advogado do ex-presidente. “Detalhe importante. @FlavioBolsonaro é também ADVOGADO do Jair na execução da pena domiciliar. Rasgaram a OAB hoje também”, escreveu nas redes sociais. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro condicionou a realização de eleições no país à vitória do irmão: “Não haverá eleição em 2030, exceto se elegermos @FlavioBolsonaro. É impensável haver um país com Lula consolidando o atual regime e ainda botando +4 juízes no STF. Se já estão confortáveis hoje para fazer isso, imagina daqui a 4 anos, com controle total do STF+TSE?”, declarou.