Em nota divulgada neste sábado (18), Marinho classificou as medidas como "extravagantes", "inusitadas" e um instrumento de "silenciamento político". A reação da equipe de Flávio ocorre após o ministro Alexandre de Moraes proibir o ex-presidente de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições de 2026 e vetar a divulgação de manifestos políticos, inclusive por meio de terceiros. Em nota, Marinho argumentou que o "isolamento" imposto a Jair Bolsonaro "atenta contra o Estado Democrático de Direito e excede os limites constitucionais". Para o senador, a suspensão dos direitos políticos decorrente de condenação criminal deveria se restringir apenas às ações de votar e ser votado. "Ao impedir até mesmo visitas de seus filhos e restringir sua comunicação com a sociedade, Alexandre de Moraes transforma medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político. Mais do que isso, amplia restrições para além do que a própria Constituição prevê", escreveu o coordenador da pré-campanha de Flávio. O ex-presidente cumpre, em regime domiciliar, pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Na casa em que está preso em Brasília, Bolsonaro convive com a esposa Michelle, uma filha e uma enteada, além de funcionários e seguranças. Divulgação de carta por Flávio Moraes mantém prisão domiciliar de Bolsonaro e suspende visitas 'político-eleitorais' até fim das eleições No texto, o ex-presidente declarava apoio explícito à pré-candidatura do filho ao Planalto e pedia que seus apoiadores se empenhassem na campanha. Na decisão mais recente, emitida nesta sexta-feira (17), o ministro apontou que houve "flagrante descumprimento" e "participação ativa" do ex-presidente na formulação de "material pré-fabricado" para burla das restrições de comunicação externa e uso de redes sociais vigentes na prisão domiciliar humanitária. Jair Bolsonaro cumpre pena privativa de liberdade desde 25 de novembro de 2025. Ele foi transferido para o regime de prisão domiciliar humanitária em 24 de março, logo após receber alta hospitalar depois de uma broncopneumonia. Na decisão, Moraes rechaçou o argumento de que as novas sanções isolariam completamente o ex-presidente, classificando a alegação como "patética". O ministro listou que, desde o início do regime domiciliar, Bolsonaro convive diariamente com a esposa, a filha e a enteada, além de funcionários, e já recebeu um total de 185 visitas, incluindo 64 de advogados, 31 de seus filhos (antes das suspensões) e 70 atendimentos médicos. O magistrado alertou ainda que novos descumprimentos das ordens judiciais poderão provocar a revogação do benefício humanitário e o retorno imediato do ex-presidente ao sistema prisional em regime fechado. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição e coordenador da pré-campanha de Flávio — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado