Um perfil do MEI (Microempreendedor Individual) traçado pela Folha a partir de uma série de estudos privados e de órgãos públicos mostra que o percentual de utilização desse tipo de empresa é maior nas faixas de renda mais elevadas do que entre a população mais pobre .
Os dados também apontam que o rendimento médio desses profissionais é superior ao de empregados com carteira assinada e demais trabalhadores que atuam por conta própria.
As propostas do governo e do Congresso para ampliar esse regime especial de tributação, portanto, tendem a beneficiar justamente aqueles que estão longe de serem o público-alvo do programa, ou seja, pessoas na informalidade e em situação de vulnerabilidade.Dados do Sebrae mostram ainda que, nos últimos anos, a maioria das pessoas que se registraram como microempreendedores (60%) eram empregadas com registro formal antes de virar "pejota". E mais da metade trabalha, na prática, como se fosse assalariada, a exemplo da vendedora de equipamentos médicos Carine Leão, 47.
A empresa que a contratou permitiu a escolha do regime de trabalho: MEI, pequena empresa ou CLT. Ela optou pelo primeiro. "A empresa oferecia salário fixo e comissão maiores em contrato com MEI. Os benefícios do regime celetista não compensavam a diferença", afirma.







