"A beleza está nos olhos de quem vê", diz Lupita Nyong’o em seu terno lustroso, num tom de dourado que brilha como o sorriso de alguém que não se deixou abalar pelos ataques recebidos ao ser anunciada como a Helena de Troia da versão de Christopher Nolan para "Odisseia".

"Muita gente não pensou assim [que eu era bonita o suficiente], então me questionei se eu mesma conseguia me ver dessa forma", continua a atriz, num humor e gentileza notáveis, que preenchiam a sala do hotel onde o elenco do filme recebeu jornalistas do mundo inteiro na semana retrasada, antes da première em Londres.

Personagem tida como a mulher mais bela do mundo, segundo os poemas atribuídos a Homero, Helena é mais presente na "Ilíada" do que na "Odisseia". Ainda assim, Nolan decidiu ancorar boa parte de sua adaptação nos traumas e fantasmas gerados pela Guerra de Troia, fazendo dela uma peça central em seu filme.

Quando a vencedora do Oscar por "12 Anos de Escravidão" foi anunciada, porém, comentários de teor racista e machista, ou que discutiam a fidelidade histórica do longa, invadiram as redes sociais, questionando se Nyong’o era bela o suficiente para viver a mulher capaz de iniciar uma guerra devido à sua aparência.