Em janeiro de 2019, o recém-eleito presidente Jair Bolsonaro (PL) trocou algumas palavras com o democrata Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos. Em um coquetel do Fórum Econômico Mundial, Bolsonaro disse ao interlocutor, conhecido pelo ativismo ambiental: "A Amazônia não pode ser esquecida. Temos muitas riquezas. E gostaríamos muito de explorá-las junto com os EUA".
O convite, que gerou estranhamento –"Não entendi muito bem o que quis dizer", Al Gore respondeu–, ficou marcado como um dos exemplos de alinhamento aos Estados Unidos durante a gestão Bolsonaro.
A mesma postura é adotada pelos filhos do ex-presidente, especialmente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que escolheu a nação americana para seu autoexílio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que, desde que anunciou sua pré-candidatura à Presidência, já viajou ao menos seis vezes ao país, onde descolou uma reunião e uma foto com o presidente Donald Trump.
Mas nem sempre foi assim. Nos anos 1990 e 2000, imbuída de um nacionalismo comum nos círculos militares, a família Bolsonaro fazia críticas públicas aos americanos, os acusando de desejar explorar a Amazônia.
Em agosto de 1995, ao criticar a demarcação da terra indígena Yanomami, o então deputado federal Jair Bolsonaro afirmou que a região era alvo de "cobiça internacional" e que "soberania não se negocia". Três anos depois, disse que havia "grande interesse norte-americano pela nossa Amazônia" devido às reservas minerais.







