"Dê uma olhada na natureza atrás de mim, na quantidade de água. Algum país do mundo tem a possibilidade de ter isso? É importante que a gente aprenda a defender e a gostar do Brasil, porque esse país nasceu para ser o melhor do mundo", disse ainda ao amanhecer, em Manaus, às margens do Rio Negro. Enquanto aliados de Flávio celebraram a realização do encontro com Trump, governistas avaliam que o episódio é uma oportunidade para que o PT reforce o discurso de defesa da soberania e explore a proximidade entre a família Bolsonaro e Trump, que impôs tarifas a produtos brasileiros. Como mostrou o Valor, a percepção de lideranças petistas é de que a foto de Flávio com Trump transformou o presidente americano em cabo eleitoral do senador, o que será explorado na campanha eleitoral lulista. Num momento em que a defesa da soberania brasileira, no episódio do tarifaço, contribuiu para turbinar a popularidade de Lula, a imagem de Flávio com Trump reforça o argumento petista de que a família Bolsonaro trabalhou contra os interesses do Brasil, estimulando os ataques dos Estados Unidos contra o comércio e a indústria nacionais. Até a estética da fotografia virou munição para os petistas, que ironizaram a imagem de Flávio de pé ao lado de Trump, que permaneceu sentado em sua mesa de trabalho, no gabinete presidencial. A avaliação é de que não se pode comparar esse registro com as fotografias de Lula e Trump durante a visita oficial do brasileiro a Washington. Naquelas imagens, Lula e Trump estão de pé, apertando as mãos, no clássico cumprimento de chefes de Estado. Flávio encontra Trump — Foto: Reprodução/Redes sociais Fontes do governo Lula, além disso, descartam qualquer impacto do episódio na relação diplomática ou comercial entre os dois países, que avança sobre a redução de tarifas e negociação em torno de minerais críticos, como terras raras. Encontro de Flávio e Trump Flávio foi recebido na tarde de terça-feira (26) pelo presidente dos Estados Unidos. Após a reunião, o presidenciável do PL publicou nas redes sociais uma foto ao lado do americano no Salão Oval e concedeu uma entrevista coletiva. O encontro nos EUA vinha sendo apontado na pré-campanha de Flávio como uma forma de pautar uma agenda positiva após a crise causada pela revelação da relação entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar admitiu, após mensagens reveladas pelo site Intercept Brasil, ter negociado com o dono do Banco Master o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A jornalistas, Flávio afirmou que o encontro com Trump durou cerca de 1h40 e teria ocorrido a convite direto do americano. Até esta manhã, nem a Casa Branca nem o próprio presidente haviam se manifestado sobre a reunião. Mais cedo, aliados chegaram a informar que a agenda havia sido mais breve, apenas com a entrega de alguns documentos e uma pausa para registrar a imagem publicada nas redes sociais. Na entrevista, o senador negou que sua pré-campanha esteja passando por um crise. Pesquisa Datafolha divulgada semana passada, após a revelação dos diálogos com Vorcaro, mostrou que a vantagem do presidente Lula sobre o parlamentar cresceu de três para nove pontos percentuais. “Crise de quê? Uma campanha eleitoral tem altos e baixos. Estou muito seguro que sou a única alternativa que esse país tem de evitar que nós tenhamos mais quatro anos de um governo terrível”, disse No início do mês, Trump recebeu o presidente Lula, também em Washington, para a primeira reunião bilateral nos EUA. No encontro, os chefes de Estado trataram de temas como comércio, tarifas e terras raras.