Desejamos que a paz prevaleça, que vidas sejam preservadas e que as diferenças sejam resolvidas pela negociação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os escombros do prédio da Amia após o atentado — Foto: Ali Burafi/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 21:11 Três Décadas Após Atentado à Amia, Impunidade Ainda Fere Memória e Justiça na América Latina O atentado à Amia, ocorrido em 18 de julho de 1994, é um marco doloroso na história da América Latina, com 85 mortos e mais de 300 feridos. Trinta anos depois, a falta de punição aos responsáveis mantém a ferida aberta e destaca a importância da memória e da justiça. Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, reforça a necessidade de não naturalizar a impunidade e de promover a paz e o diálogo entre os povos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Há datas que permanecem gravadas na memória coletiva não apenas pela dimensão da tragédia, mas pelo compromisso que impõem às gerações seguintes. O dia 18 de julho de 1994 é uma delas. Naquela manhã, um carro-bomba destruiu a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, matando 85 pessoas e ferindo mais de 300. Foi o maior atentado terrorista da história da América Latina. A tragédia da Amia somou-se a outra ferida ainda aberta na memória argentina: o atentado contra a Embaixada de Israel, ocorrido em 17 de março de 1992, que deixou 29 mortos e centenas de feridos. Juntos, esses ataques marcaram profundamente a história do país e de toda a região. Passados mais de 30 anos, o tempo não conseguiu cicatrizar essa ferida. Pelo contrário. A ausência de uma punição definitiva para os responsáveis mantém viva a sensação de que ainda há uma dívida com as vítimas, seus familiares e toda a sociedade. Não existe democracia plena quando um crime dessa magnitude permanece sem a devida responsabilização. Os familiares das vítimas jamais desistiram. Transformaram a dor em perseverança e seguem lembrando ao mundo que a justiça não prescreve. A cada aniversário do atentado, renovam o compromisso de manter vivos os nomes, as histórias e os sonhos interrompidos naquele dia. Guardar a memória da Amia não é uma causa exclusiva da comunidade judaica nem apenas da Argentina. É um compromisso de todos aqueles que acreditam na justiça, na democracia e na defesa da vida. Lembrar é uma forma de impedir que a barbárie encontre espaço para se repetir. Vivemos em um continente marcado pela convivência entre diferentes povos, culturas e religiões. Brasil, Argentina e os demais países da região construíram suas sociedades valorizando a diversidade e o diálogo. Embora estejamos geograficamente distantes dos conflitos que hoje atingem o Oriente Médio, não podemos permanecer indiferentes ao sofrimento humano. Desejamos que a paz prevaleça, que vidas sejam preservadas e que as diferenças sejam resolvidas pela negociação, nunca pelo terrorismo ou pela violência. Desde sua fundação, o Congresso Judaico Latino-Americano tem desempenhado um papel importante na preservação da memória, no combate ao antissemitismo, na promoção do diálogo e no fortalecimento dos direitos humanos. Sua atuação também representa uma contribuição permanente para iniciativas que promovam a convivência, a paz e a defesa dos valores democráticos. Mais de três décadas depois, a mensagem continua atual. O terrorismo não pode ser relativizado. A impunidade não pode ser naturalizada. A memória não pode ser abandonada. Lembrar a Amia é honrar 85 vidas interrompidas pela violência. É estar ao lado das famílias que seguem esperando por justiça. É defender que nenhum atentado fique sem resposta. É reafirmar que a América Latina deseja continuar sendo uma terra de paz, convivência e respeito entre os povos. Porque a memória preserva a dignidade das vítimas. A verdade fortalece a sociedade. E a justiça continua sendo o único caminho capaz de transformar uma tragédia em um compromisso permanente com a humanidade. *Jack Terpins é presidente do Congresso Judaico Latino-Americano