PUBLICIDADE Christopher Pissarides afirmou, durante conferência no IMPA, que inteligência artificial tem ampliado a produtividade e criado novas funções, embora concentre riqueza e exija mudanças na educação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O economista Christopher Pissarides em conferência no Rio de Janeiro — Foto: Divulgação / IMPA RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 19:21 Nobel de Economia minimiza impacto da IA no desemprego em massa Durante a conferência no IMPA no Rio de Janeiro, Christopher Pissarides, Nobel de Economia de 2010, minimizou o impacto da inteligência artificial no desemprego em massa, destacando seu papel no aumento da produtividade e criação de novas funções. No entanto, alertou sobre a concentração de investimentos em IA em grandes centros, ampliando desigualdades regionais. Defendeu também a adaptação educacional para enfrentar mudanças tecnológicas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2010, Christopher Pissarides, afirmou que o temor de um desemprego em massa provocado pela inteligência artificial não é confirmado pelos dados da macroeconomia. Em palestra durante a 25ª Conferência da Society for the Advancement of Economic Theory (SAET), realizada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, o economista disse que, até o momento, a tecnologia tem atuado mais como uma ferramenta de apoio aos trabalhadores do que como um substituto da mão de obra. — Há alguns poucos exemplos de aumento de desemprego que ganham toda a publicidade, especialmente nas empresas de tecnologia, que envolvem realmente milhares de trabalhadores. Mas se você olhar para o quadro geral da macroeconomia, essas coisas são muito, muito pequenas — afirmou ele. Segundo Pissarides, enquanto alguns setores registram demissões, outros continuam criando vagas impulsionadas pelas transformações tecnológicas. — Em áreas tradicionais do mercado de trabalho, como a construção civil, por exemplo, há um aumento na demanda. Há também novos empregos surgindo para aumentar a segurança, manutenção, robótica, equipamentos, análise de dados de programas, e assim por diante — completou ele, que em outra ocasião, já havia dito que setores de TI teriam empregos destruídos. O economista também abordou o impacto da IA sobre as habilidades exigidas dos profissionais. Segundo uma pesquisa liderada por ele, trabalhadores que atuam diretamente com tecnologia são os que mais precisam se atualizar ao longo da carreira. O estudo analisou a probabilidade de um profissional necessitar de novos treinamentos após oito anos na mesma função. Por outro lado, profissões ligadas à educação e ao cuidado humano, como professores e enfermeiros, apresentaram poucas mudanças nas competências exigidas ao longo desse período. Apesar da avaliação positiva sobre o mercado de trabalho como um todo, Pissarides demonstrou preocupação com a concentração dos investimentos em inteligência artificial. De acordo com pesquisas citadas por ele, cerca de 60% dos recursos destinados à IA estão concentrados em grandes centros urbanos e polos de excelência, como o eixo Londres-Oxford-Cambridge, no Reino Unido, ampliando as desigualdades entre regiões. Outro ponto destacado foi a situação de profissões menos suscetíveis à automação, como enfermagem e hotelaria. Segundo o economista, embora esses empregos sejam mais protegidos da substituição por máquinas, eles enfrentam o desafio da estagnação salarial por não apresentarem grandes ganhos de produtividade. — O maior desafio com esses setores é como garantir que eles sejam bem pagos, dado que eles não conseguem mostrar ganho de produtividade. Como um enfermeiro trabalhando em um hospital movimentado pode melhorar sua produtividade? Portanto, eles têm que depender de dinheiro do governo. E se o governo não tiver dinheiro, eles não serão pagos, o que é a coisa mais triste — avaliou. Escolas com novos modelos Para enfrentar as transformações provocadas pela inteligência artificial, Pissarides defendeu mudanças no modelo educacional. Segundo ele, em vez de formar especialistas muito cedo, as escolas deveriam priorizar o desenvolvimento da capacidade de adaptação dos estudantes. Na avaliação do Nobel, a melhor estratégia para o futuro é "aprender a aprender", combinando conhecimentos das ciências exatas com uma formação sólida em ciências sociais e humanidades. A conferência da SAET reúne, até sábado (18), alguns dos principais nomes da teoria econômica mundial no IMPA. Além de Pissarides, participam do encontro os vencedores do Nobel James Heckman e Lars Peter Hansen, além de pesquisadores como José Scheinkman, Michael Woodford, Andreu Mas-Colell, Timothy J. Kehoe, Felix Kübler, Piotr Dworczak e M. Ali Khan. A edição deste ano também presta homenagem aos 80 anos do economista brasileiro Aloisio Araujo, pesquisador emérito do IMPA e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). — Eu fico muito feliz de chegar aos 80 anos ao lado de amigos, estudantes e ex-estudantes. O formato presencial do evento permite que pesquisadores se encontrem em diferentes momentos e compartilhem ideias sobre a produção científica. Isso possibilita a discussão direta de artigos que ainda não foram publicados, aproxima o Brasil da fronteira do conhecimento científico atual e diminui a distância geográfica e de acesso às discussões mais recentes — afirmou Araujo. (Com Agência Brasil)