Em meio ao baile com olé que a Espanha deu na França na semifinal da Copa, os telões do estádio dos Dallas Cowboys, no Texas, mostraram o presidente da Fifa nas tribunas. Imediatamente Gianni Infantino recebeu o carinho da galera: apupos, assobios e xingamentos. Uma apoteose de vaias, para citar Nelson Rodrigues.
Ainda não se sabe se o programador de imagens da Fifa continua no cargo. Se dependesse de mim, o homem ganharia uma gratificação salarial. Foi um dos momentos inesquecíveis da Copa de 2026. E, por sorte, sem a interferência engessante do VAR.
Comparável ao lance plasticamente mais bonito da competição: o gol de Cabo Verde contra a Argentina, numa jogada iniciada com troca de passes no meio de campo até a conclusão de Sidny Lopes Cabral, o drible no bico da grande área e o chute no ângulo do goleiro Dibu Martinez. Lembrou o passado de glórias de certa seleção, que hoje assumiu o papel de coadjuvante.
Vaiado, Infantino sorriu amarelo. Mas logo fez cara de paisagem. De quem ganha US$ 4,8 milhões (fora as mordomias, os mimos e as mutretas) e não dá a mínima para os torcedores. De quem está pouco se lixando para os protestos contra o preço dos ingressos e as reclamações de profissionais do esporte sobre a parada obrigatória para hidratação —desculpa para mais publicidade. A ideia de dividir a partida em quatro tempos, aliás, foi de João Havelange ainda na década de 1990 e só agora implantada.










