Ofuscado pela fase de grupos da Copa do Mundo, o lançamento do plano de segurança pública de Flávio Bolsonaro (PL) merece mais atenção.
O candidato anunciou 12 medidas. Nenhuma delas se destina à prevenção racional da criminalidade e da violência. No "Brasil sem medo" tudo tem, de alguma forma, propósito bélico, punitivo, de vigilância.
Parece roteiro de ficção científica. Premeditadamente desumano, esbarra num ideal de futuro próximo que espalha temor e radicalização verbal. Para cortar o mal pela raiz, sugere "castração química dos que abusam de mulheres e crianças". Amplia o contingente de degenerados e inimigos do cidadão de bem, propondo maioridade penal a partir dos 14 anos: "quem comete crime como gente grande vai ser punido como gente grande".
O filhote de Bolsonaro, que discretamente já começa a semear a cizânia golpista, reclamando de indevidas interferências do Supremo Tribunal Federal nas eleições, de modo a comprometer o resultado da disputa, é assessorado pelo capitão Derrite e por Sergio Moro, partidários da imunidade de policiais assassinos e do uso desmedido da força.
O panorama que se promete é de mais tiroteio, balas perdidas e letalidade policial. "Quem não entrar na linha vai ser desligado da sociedade". O "traficante que resistir e enfrentar o Estado vai ser preso ou vai virar pó". "Bandido armado com fuzil vai ser abatido". Candidato a marionete de Donald Trump, anuncia que, em seu governo, "terrorista vai ser tratado como terrorista". O nome do Complexo Federal de Segurança Máxima, concebido a partir do modelo populista de Nayib Bukele, em El Salvador, é "Treva".






