Após ter cortado a nota da Cosan, que controla a operadora logística, a agência explicou que a Rumo não oferece garantias diretas às dívidas da Cosan, mas percebida como parte do grupo, compartilha riscos reputacionais A Moody’s rebaixou, nesta sexta-feira (17), o rating corporativo da Rumo de “Ba2” para “Ba3”, após ter cortado a nota da Cosan, que controla a operadora logística. A perspectiva para o rating, que estava sob revisão, passou a ser negativa. A agência de classificação de risco afirma que o rebaixamento da Cosan se baseou na ainda fraca cobertura de juros no nível da holding e também em um perfil financeiro que depende de dividendos e monetização de ativos para se sustentar. “A Rumo não oferece garantias diretas às dívidas da Cosan, mas acreditamos que ela seja um ativo estratégico para a holding, uma de suas fontes de dividendos e claramente percebida como parte do grupo Cosan, compartilhando riscos reputacionais”, diz a Moody’s. Para além do vínculo com a Cosan, a instituição reconhece que a Rumo é a maior operadora logística do país, com acesso a recursos no mercado de capitais e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A classificação de risco incorpora uma posição adequada de liquidez e acesso a fontes de financiamento para sustentar seus investimentos em expansão, ao mesmo tempo em que mitiga a perspectiva de fluxo de caixa livre [FCF, na sigla em inglês] negativo”, acrescenta a Moody’s. A nota da Rumo é limitada pela exposição expressiva da companhia ao mercado de commodities agrícolas, a dinâmicas competitivas e a um volume concentrado de grandes clientes do agronegócio. Isso apesar de a companhia ser capaz de mitigar esses fatores com o modelo de contrato “take-or-pay”, que garante uma receita mínima à empresa, aponta a agência de classificação de risco. Além disso, a companhia tem um grande planejamento de investimentos a ser executado, o que implica necessariamente riscos. A gestão da Rumo, entretanto, se provou capaz de adequadamente alocar capital ao longo dos últimos anos, avalia a Moody’s. “A perspectiva negativa reflete a perspectiva negativa da Cosan e os riscos associados ao refinanciamento dos títulos da Rumo com vencimento em 2028, apesar da adequada posição de liquidez da companhia e de sua alavancagem controlada, que ajudam a mitigar os riscos decorrentes de seu amplo programa de investimentos nos próximos 12 a 18 meses”, completa. Na semana passada, a Rumo já havia tido o rating rebaixado pela S&P global, que também destacou riscos envolvendo a deterioração da qualidade de crédito da Cosan. — Foto: Marlla Sabino/Valor