A decisão não está atrelada aos fundamentos operacionais da companhia ferroviária, que permanecem robustos, mas ao risco de contágio imposto pelas incertezas financeiras da holding A S&P Global Ratings cortou a nota de crédito global da Rumo de “BB-” para “B+”, enquanto a S&P National Ratings cortou a nota nacional de “brAA+” para “brAA-”, ambas com perspectiva negativa. Confira resultados e indicadores da Rumo e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 Os analistas Luísa Vilhena, Flávia Bedran e Matheus Cortes, da S&P Global Ratings, e Victor Soriani e Fabiana Gobbi, da S&P National Ratings, escrevem que a revisão reflete a deterioração da qualidade de crédito da controladora Cosan. A decisão não está atrelada aos fundamentos operacionais da companhia ferroviária, que permanecem robustos, mas ao risco de contágio imposto pelas incertezas financeiras da holding. A Cosan vem enfrentando pressões de liquidez e lidando com uma estrutura de capital complexa, quadro que foi agravado pela reestruturação extrajudicial da Raízen e pela consequente interrupção estrutural no fluxo de dividendos vindos da subsidiária. O risco se dá pela existência de cláusulas de inadimplência cruzada vinculadas a R$ 1,4 bilhão de empréstimos que a Rumo tem com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pressionada pela necessidade de reduzir seu próprio endividamento bruto, a Cosan contratou assessores financeiros e avalia ativamente alternativas para monetizar a sua participação na Rumo. A agência de classificação de riscos entende que a potencial venda parcial ou total de controle da Rumo evidencia uma menor relevância da companhia de logística para a estratégia de longo prazo do grupo. Excluindo a influência e as travas da controladora, a operadora logística é detentora de forte posição competitiva, tendo entregado forte desempenho operacional e financeiro ao longo do último ano. Um novo rebaixamento na nota da Rumo poderá acontecer caso o plano de desinvestimentos da Cosan piore a estrutura de capital da holding a ponto de forçá-la a uma maior intervenção nas distribuições de dividendos da Rumo, prejudicando sua liquidez. Pressionada pela necessidade de reduzir seu próprio endividamento bruto, a Cosan contratou assessores financeiros e avalia ativamente alternativas para monetizar a sua participação na Rumo — Foto: Marlla Sabino/Valor
S&P corta notas de crédito da Rumo por conta de incertezas na controladora Cosan
A decisão não está atrelada aos fundamentos operacionais da companhia ferroviária, que permanecem robustos, mas ao risco de contágio imposto pelas incertezas financeiras da holding






