Somente 40% receberam treinamento do tipo durante a graduação em Medicina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Levantamento mostra cenário de violência contra a mulher entre médicos no Brasil. — Foto: FreePik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 11:42 "Estudo da Unifesp: 90% dos Jovens Médicos se Sentem Despreparados para Comunicar Más Notícias" Uma pesquisa da Unifesp revela que 9 em cada 10 jovens médicos no Brasil não se sentem preparados para comunicar más notícias. Apenas 40% receberam treinamento adequado durante a graduação. O estudo, que envolveu 2.418 médicos, destaca a necessidade de reformular currículos médicos para incluir o ensino estruturado de comunicação, abrangendo aspectos técnicos e emocionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um novo estudo publicado nesta sexta-feira na Revista Bioética mostra que 9 a cada 10 médicos jovens no Brasil afirmam não estarem preparados para dar más notícias aos pacientes. 4 em cada 10 relatam nem mesmo terem recebido treinamento para esse tipo de comunicação durante a graduação. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 2.418 médicos candidatos a programas de residência na instituição. Os participantes tinham, em média, 27 anos e preencheram um questionário uma hora antes da prova. Do total, 48,7% eram formados em Medicina em universidades públicas, e 51,3% em privadas. 37,5% já haviam realizado outro programa de residência, ou seja, tinham mais experiência com a prática médica. Ao todo, somente 61,2% relataram ter recebido aulas sobre comunicação de más notícias durante a graduação, e 61,8% afirmaram ter participado de treinamentos específicos sobre o tema ao longo desse período. — A má notícia nunca vai virar uma boa notícia, mas existem formas de acolher e de ajudar esse paciente, de forma compassiva, a enfrentar aquele problema e aquela condição que ele vai vivenciar — diz Daniel Alveno, fisioterapeuta, docente universitário e um dos autores da pesquisa, que atua com cuidados paliativos na Unifesp há cerca de 15 anos, à Agência Bori. De forma mais expressiva, 92% dos médicos consideraram não ter concluído a formação com capacidade comunicativa satisfatória para dar más notícias. Para, 83,9% esse processo deveria envolver outros profissionais além dos médicos, como psicólogos e enfermeiros. Ainda assim, somente 3,6% nunca realizaram a comunicação de más notícias na vida profissional. “Os achados deste estudo reforçam a existência de lacunas na formação médica quanto à comunicação de más notícias, evidenciadas pela ausência de treinamento específico na graduação e pela percepção generalizada de que os profissionais não concluem sua formação devidamente preparados para essa prática. (...) Diante desses achados, destaca-se a necessidade de reformulação dos currículos médicos de modo que incluam treinamento estruturado em comunicação de más notícias, com abordagem tanto de aspectos técnicos quanto emocionais”, defendem os autores no artigo. O estudo também revelou uma contradição ética importante: quase 99% dos participantes declararam que, se fossem pacientes, gostariam que a notícia fosse dada diretamente a eles, sozinhos ou com um familiar, e mais de 90% gostariam que essa comunicação fosse feita de forma completa. Ainda assim, mais de 30% admitiram que compactuariam com a chamada “conspiração do silêncio” (omitir informações a pedido da família). — Não adianta ter conhecimento se não souber fazer esse conhecimento chegar ao paciente. Isso também precisa ser ensinado. Não é um dom, algo inato. Estudar tecnicamente comunicação é parte da formação como profissional de saúde — acrescenta Alveno.
9 em cada 10 médicos jovens não se sentem capacitados para comunicar más notícias no Brasil, mostra pesquisa
Somente 40% receberam treinamento do tipo durante a graduação em Medicina







