Um estudo recém-publicado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), de autoria de Steven Helfand e coautores, traz uma das radiografias mais completas já feitas da produtividade da agropecuária brasileira.
Com base nos dados municipais dos Censos Agropecuários de 1985 a 2017, os autores estimam que a PTF (Produtividade Total dos Fatores) do agro brasileiro cresceu 1,6% ao ano no período, respondendo por cerca de 60% da expansão do produto do setor.
Trata-se de um desempenho notável, que transformou o Brasil em um dos quatro maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo.O estudo decompõe esse crescimento da PTF em seus determinantes. E aqui há uma constatação importante para o debate sobre políticas públicas: os investimentos em P&D e em educação foram fatores cruciais de aceleração dos ganhos de produtividade.
A face mais visível disso é a Embrapa, criada em 1973, que viabilizou a tropicalização de cultivares e a ocupação produtiva do cerrado —justamente o bioma no qual, segundo o estudo, produto e PTF cresceram mais rapidamente. Poucas políticas públicas ou industriais brasileiras exibem retorno social tão elevado e tão bem documentado.
Mas a decomposição revela também o vilão da história: as variáveis climáticas atuaram sistematicamente como freio da produtividade ao longo dessas três décadas.







