0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'O que a gente precisa agora é de agilidade pra abrir novos mercados, reduzir dependência de poucos compradores e dar segurança jurídica para o produtor rural continuar investindo' diz o pecuarista — Foto: Arquivo pessoal RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 14:26 Custo do Crédito Rural no Brasil é Subestimado e Alcança R$ 59,6 Bi Anuais, Revela Estudo O custo do crédito rural no Brasil é muito superior ao divulgado, atingindo R$ 59,6 bilhões anuais entre 2023 e 2025, quase cinco vezes os R$ 12,5 bilhões anunciados. Estudo do CPI/PUC-Rio revela que além dos subsídios do Tesouro, há custos com benefícios fiscais, financiamento público e renegociações de dívidas. Apenas 31,9% desses recursos têm foco social, ambiental ou climático. A falta de transparência e a concentração em segmentos de maior renda são criticadas, destacando a necessidade de reorientação para produtores vulneráveis e maior alinhamento com metas climáticas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O custo real do crédito rural é bem maior que o valor divulgado pelo governo. De acordo com estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio (CPI/PUC-Rio), quatro mecanismos de apoio público à política tiveram custo médio de R$ 59,6 bilhões por ano entre 2023 e 2025. Esse valor é quase cinco vezes superior aos R$ 12,5 bilhões anuais anunciados. Os R$ 12,5 bilhões consideram somente os subsídios do Tesouro Nacional para redução de juros. No entanto, além dos subsídios do Tesouro, há o custo de mais três mecanismos: benefícios fiscais, fontes públicas de financiamento e renegociações de dívidas, explica Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio. A redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os rendimentos das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) somaram R$ 26,1 bilhões por ano. Já as fontes públicas de financiamento, que incluem recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento, do Fundo de Amparo ao Trabalhador e do Tesouro Nacional, responderam por R$ 20,2 bilhões anuais. As renegociações de dívidas geraram um custo médio de R$ 0,8 bilhão por ano. — O crédito rural é crucial para o financiamento da agropecuária brasileira. Os recursos destinados a essa política são parte relevante do orçamento público e precisam gerar retornos efetivos para a sociedade e promover um crescimento econômico alinhado ao retorno social, à preservação ambiental e às metas climáticas — afirma Assunção. Apenas 31,9% do volume de crédito esteve associado a programas com objetivos sociais, ambientais ou climáticos no período de 2023 a 2025. Apenas 1,4% do crédito rural foi destinado ao RenovAgro, principal linha voltada a práticas sustentáveis; 16,2% ao Pronaf; e 14,3% ao Pronamp. Priscila Souza, gerente sênior de pesquisa do CPI/PUC-Rio, explica que essa distribuição não reflete a escala dos recursos públicos mobilizados, o papel da agropecuária na agenda climática, nem a necessidade de induzir ganhos de produtividade por meio da recuperação de áreas degradadas, da redução de emissões e de maior resiliência produtiva. — Parte relevante dos recursos ainda está concentrada em segmentos de maior renda, com baixa adicionalidade e retorno social limitado. A política de crédito precisa ser reorientada para alcançar produtores mais vulneráveis e com maior restrição financeira, regiões subatendidas e fortalecer as condicionalidades ambientais. Também falta transparência em grande parte dos contratos de crédito. O Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil (BCB), divulga informações abrangentes (CPF ou CNPJ do mutuário, município de concessão e coordenadas da propriedade financiada) somente para operações que recebem subsídios para redução de juros, que têm fontes de recursos públicas ou que são cobertas pelo Proagro. Entre 2023 e 2025, somente 34,8% do volume contratado contava com informações completas no Sicor. Nos contratos restantes, que correspondem a R$ 747 bilhões em três anos (65,2% do total), não é possível identificar quem recebeu o crédito, onde ele foi aplicado e qual propriedade foi beneficiada. Segundo o estudo, mesmo nos contratos com mais informações, faltavam dados relevantes, como o perímetro da propriedade, a situação ambiental e indicadores de alinhamento à Taxonomia Sustentável Brasileira. Em relação aos fundos constitucionais, os pesquisadores recomendam maior alinhamento com o Plano Safra, aderência aos objetivos socioeconômicos dos fundos, priorizando produtores de menor porte, com maior restrição financeira, e localidades menos desenvolvidas. Além disso, sugerem a destinação de recursos para o RenovAgro e o Pronaf ABC+. Outro ponto é a concessão de crédito para projetos que envolvem desmatamento. Atualmente, operações de crédito com recursos controlados ou direcionados têm impedimentos sociais, ambientais e climáticos mais restritivos, como a não concessão de crédito para projetos que preveem a supressão de vegetação nativa e para imóveis com desmatamento ilegal. — Essas exigências precisam ser ampliadas para abarcar também as operações com recursos livres, já que elas também contam com benefícios e incentivos públicos, como isenções tributárias. Recursos públicos devem ser direcionados ao interesse público e gerar retornos positivos para a sociedade.
Custo do crédito rural chega a R$ 59 bilhões por ano, quase cinco vezes o valor divulgado
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