Segundo o ministro, valores ainda não foram definidos, mas a expectativa é que o montante seja inferior aos R$ 15 bilhões mobilizados anteriormente Durigan diz que as eventuais medidas serão implementadas sem comprometer metas fiscais — Foto: Wenderson Araujo/Valor O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai reforçar as medidas de apoio aos setores afetados pela tarifa de 25% pelos Estados Unidos por meio da ampliação do programa "Plano Brasil Soberano", restrita às linhas de crédito. Segundo ele, os valores ainda não foram definidos, mas a expectativa é de o montante seja inferior aos R$ 15 bilhões mobilizados anteriormente. Durigan ressaltou que pretende “tranquilizar o mercado”. Ele afirmou que as eventuais medidas serão implementadas sem comprometer as metas e os compromissos fiscais. “Setores afetados serão chamados ao diálogo e ampliaremos e reforçaremos o plano Brasil Soberano”, disse ele, em entrevista coletiva. De acordo com Durigan, é possível que, no início de agosto, o reforço do programa já esteja produzindo efeitos, com foco nos setores que realmente precisam. “A gente já aprendeu e sabe fazer este apoio às empresas por meio do Brasil Soberano. Não temos valores ainda, porque precisamos ouvir os setores afetados (...). Estamos garantindo que setores serão apoiados, e minha expectativa é que seja em montante inferior ao que fizemos anteriormente, mas ainda a ser depurado”, acrescentou. Durigan ressaltou que o impacto do tarifaço a ser adotado pelos EUA deve se concentrar em alguns setores específicos, sem comprometer a estabilidade macroeconômica do país. “Não quero menosprezar o impacto negativo em alguns setores", afirmou ele, acrescentando que a equipe econômica mantém o compromisso com a condução da política macroeconômica a despeito da “interferência externa” dos Estados Unidos. Segundo Durigan, a equipe de ministros levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a discussão sobre a eventual adoção das medidas de reciprocidade previstas na lei aprovada no Congresso, cabendo ao presidente orientar os próximos passos. Medidas entram em vigor na próxima quarta, 22 O governo americano publicou, na noite desta quarta-feira (15), a resolução que estabelece tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. A tarifa, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, entrará em vigor na próxima quarta-feira (22). A Seção 301 é um instrumento previsto na Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, que autoriza o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) a apurar práticas que supostamente prejudicam o comércio internacional americano. A investigação contra o Brasil, feita nos termos da Seção 301, abrange um conjunto amplo de temas. Entre os pontos citados, estão, por exemplo, o Pix, a comercialização de produtos falsificados em centros populares como a Rua 25 de Março e alegações de restrições a redes sociais americanas.