Teerã pede para que aliados no Iêmen bloqueiem a passagem, que se tornou ainda mais vital após o fechamento do Estreito de Ormuz, caso Trump ataque infraestrutura energética iraniana Houthis exibem mísseis em parada militar, em 2023, para celebrar tomada da capital do Iêmen — Foto: Khaled Abdullah/Reuters/Arquivo O Irã pediu ao movimento houthi do Iêmen que esteja pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana, informaram três fontes à Reuters nesta quinta-feira, o que representa uma nova e grave ameaça ao abastecimento energético global. A ideia foi discutida entre a liderança da República Islâmica, e a mensagem foi transmitida aos aliados houthis do Irã, afirmaram duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte regional a par do assunto. Elas falaram sob condição de anonimato. As fontes afirmaram que os houthis foram informados recentemente sobre o pedido de Teerã, que não havia sido divulgado anteriormente. Elas não deram mais detalhes sobre como o pedido foi transmitido, nem se isso ocorreu após a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar a infraestrutura energética iraniana na terça-feira. O Ministério das Relações Exteriores do Irã e um porta-voz do grupo houthi não estavam disponíveis imediatamente para responder ao pedido da Reuters. Estreito de Bab el-Mandeb é crucial para as exportações de petróleo da Arábia Saudita — Foto: Valor Drones em Bab el-Mandeb Uma fonte próxima aos houthis disse que o grupo havia concluído os preparativos para atacar a navegação, posicionando mísseis e drones perto do Estreito de Bab el-Mandeb - porta de entrada para o Mar Vermelho -, nas terras altas do Iêmen com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden. O grupo aguardava a ordem para iniciar a operação. Qualquer ameaça ao Mar Vermelho e à sua porta de entrada, Bab el-Mandeb, corre o risco de agravar a crise energética global desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. Com o Estreito de Ormuz já fechado, quaisquer ataques houthis a navios ou portos no Mar Vermelho deixariam as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio interrompidas simultaneamente, abrindo uma nova frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo do Irã com os EUA. Representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que já se encontram no Iêmen, controlarão a decisão sobre quando fechar o estreito de Bab el-Mandeb, afirmou a fonte próxima aos houthis. Em um sinal da escalada das tensões na região, os houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle na segunda-feira, rompendo uma trégua de quatro anos entre o país e o grupo. Torbjorn Solvedt, principal analista do Oriente Médio da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft, disse que o recrudescimento do conflito entre os houthis e a Arábia Saudita ocorreu em um momento inoportuno. “Se os combates se intensificarem e se espalharem para a infraestrutura de exportação e o transporte marítimo do Mar Vermelho, isso ameaçará a única rota alternativa importante para as exportações de petróleo da região”, disse. Duas fontes regionais próximas a Riade afirmaram que a Arábia Saudita estava levando muito a sério as ameaças do Irã e dos houthis, acrescentando que estava ciente de que o grupo iemenita agora estava coordenando-se estreitamente com o Irã em relação ao Mar Vermelho. O conflito na região começou em 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã, levando Teerã a fechar o Estreito de Ormuz, que antes da guerra era a principal rota para cerca de um quinto do abastecimento energético global. Risco no Mar Vermelho é grande As tensões aumentaram desde que uma frágil trégua firmada em junho entre Teerã e Washington ruiu, reavivando os temores de uma guerra em grande escala e interrompendo o fluxo de energia pelo estreito. Desde então, uma quantidade significativa de petróleo do Golfo foi desviada para o Mar Vermelho por meio de um oleoduto saudita, e a via navegável agora transporta cerca de 7% do abastecimento global de energia. Quando os houthis atacaram navios durante a guerra de Gaza, as principais empresas de navegação desviaram suas cargas para a rota muito mais longa e cara ao redor da África. Como a própria Arábia Saudita desviou 70% de suas exportações de energia por meio do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, quaisquer ataques diretos à região também representariam um grande problema para os mercados de petróleo. Uma das fontes regionais afirmou que o regime iraniano busca pressionar os EUA ao aumentar o custo potencial para a economia global, ameaçando a navegação no Mar Vermelho e o fluxo das exportações de petróleo sauditas por essa via navegável, no que a fonte descreveu como parte do “pensamento iraniano”. Fechar o estreito não seria difícil, disse a fonte, acrescentando: “Qualquer pessoa com um rifle pode interromper a navegação. Não é preciso ter mísseis sofisticados.” O Irã vê os houthis como parte de seu “eixo da resistência” regional, uma aliança que também inclui o Hezbollah, do Líbano, e grupos armados xiitas iraquianos que já se juntaram ao conflito regional entre Teerã e Washington. Mas os rebeldes houthis ainda não entraram formalmente na disputa. Os EUA afirmam que o Irã forneceu aos houthis armas, financiamento e treinamento, incluindo apoio canalizado por meio do Hezbollah. Teerã nega a acusação.