Uma dor de cabeça inesperada, uma crise de alergia ou uma cólica durante o trabalho. Ter um medicamento à mão para situações específicas parece uma medida de bom senso. O problema começa quando a necessidade de estar preparado para qualquer desconforto transforma bolsas, mochilas e até carros em pequenas farmácias móveis.
"Levar um ou dois medicamentos essenciais na bolsa, como um anti-histamínico para quem tem alergia grave ou broncodilatador para quem tem asma, é prevenção legítima", aponta o cardiologista Murilo Meneses Nunes, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
O sinal de alerta aparece quando a pessoa passa a carregar diversos medicamentos para sintomas hipotéticos e sente insegurança ao sair de casa sem eles. Analgésicos, antiácidos, anti-inflamatórios, remédios para dormir e outros itens passam a funcionar como uma espécie de seguro contra qualquer mal-estar futuro.
Quem sofre de transtorno de ansiedade de doença — condição popularmente conhecida como hipocondria — costuma interpretar sensações normais como sinais de enfermidades graves. Além disso, busca confirmação constante em consultas, exames, familiares ou pesquisas na internet. Uma dor de cabeça leve pode ser vista como algo preocupante. Um desconforto digestivo passageiro pode gerar medo de uma doença séria. O resultado é um estado permanente de vigilância.







