Após um dia de trabalho, quando o pescoço ou a lombar começam a incomodar, a resposta imediata costuma ser alcançar o remédio relaxante muscular mais próximo. Isso também acontece após um treino mais pesado na academia ou uma má noite de sono, mas o hábito oferece mais riscos do que se imagina.

Segundo especialistas, o problema envolve desde sonolência e queda de pressão até a possibilidade de mascarar uma lesão que precisaria de outro tratamento.

Os relaxantes musculares não agem diretamente no músculo que dói. Eles atuam no sistema nervoso central, bloqueando os neurotransmissores responsáveis pela tensão da fibra muscular, explica a cardiologista Ligia Trevizan, do Hospital Municipal M'Boi Mirim, gerido pelo Einstein.

É esse mecanismo que explica a sonolência, a lentidão e a redução dos reflexos associados ao medicamento. O efeito está relacionado ao maior risco de acidentes de trânsito e de trabalho.

"Pode diminuir reflexo e coordenação, e isso aumenta o risco de a pessoa prender a mão numa prensa, por exemplo", diz o ortopedista João Polydoro, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.