Empresário, ele avalia o que sustenta a valorização de clássicos nacionais como Opala e Maverick, hoje disputados tanto por paixão quanto por potencial de retorno financeiro. Mário Augusto de Castro — Foto: Divulgação Carros antigos se valorizaram, em média, 193% na última década no Brasil, superados apenas por colecionáveis raros, como uísques de safra limitada. O setor já movimenta R$ 32,6 bilhões por ano no país, somando compra e venda, seguro, restauração e manutenção. Um interesse que já foi restrito a um grupo pequeno de entusiastas virou classe de ativo com peso real no mercado de colecionáveis. Um clássico nacional que virou case de valorização O Ford Maverick V8 ilustra bem esse movimento. Lançado com vendas modestas nos anos 1970, o modelo hoje figura entre os clássicos nacionais mais valorizados do país. A combinação é simples: pouca oferta remanescente e demanda crescente de colecionadores. Mário Augusto de Castro acompanha esse tipo de trajetória de perto. Para ele, o erro mais comum de quem entra agora no mercado é presumir que o carro mais vendido no passado será o mais valioso no presente. A regra que realmente importa é outra: raridade constrói valor, volume de vendas original não constrói. O que determina se um clássico vai valorizar? Três fatores concentram a explicação sobre por que alguns modelos disparam de valor enquanto outros equivalentes ficam parados: originalidade, estado de conservação e documentação completa do veículo. Um carro remexido, com peças fora de especificação, vale uma fração do preço de um exemplar fiel à configuração de fábrica. Comprador experiente checa motor, chassi e histórico de proprietários antes de negociar preço. A raridade sozinha não garante valorização, segundo Mário Augusto de Castro. Um modelo raro sem apelo histórico pode ficar esquecido no mercado. Já um clássico com forte carga emocional, mesmo produzido em maior escala, sustenta demanda por décadas. O risco de tratar todo carro antigo como investimento Nem todo veículo velho o suficiente para ser chamado de clássico se comporta como investimento. Restauração custa caro, peças originais escasseiam a cada ano, e a burocracia de regularização consome tempo e dinheiro que muitos entrantes recentes subestimam. Documentação incompleta, principalmente, é o erro que mais reduz o valor de revenda de um carro que, fora isso, está bem cuidado. A recomendação de Mário Augusto de Castro para quem entra no setor de olho no retorno financeiro é direta: conhecer o modelo a fundo antes de comprar e calcular o valor do carro pronto e conservado, não o preço de um exemplar que ainda precisa de trabalho. Um mercado que segue em expansão Encontros de veículos antigos pelo país, de Lindóia, em São Paulo, a Araxá, em Minas Gerais, reúnem centenas de milhares de visitantes por ano e impulsionam o comércio de peças e a profissionalização de oficinas de restauração. O mercado de clássicos deixou de ser nicho de entusiastas e passou a atrair capital que enxerga o setor puramente como investimento. Mário Augusto de Castro traça uma linha clara entre os dois tipos de entrante: quem busca só retorno financeiro se frustra mais rápido do que quem tem paixão genuína pelos carros. Manutenção constante, busca por peças originais e paciência para vender no momento certo exigem dedicação que raramente se sustenta sem prazer real em cuidar do veículo. Esse mesmo mercado também deu origem a uma rede paralela de negócios: mecânicos especializados em motores fora de linha, fornecedores de peças importadas e organizadores de leilões dedicados exclusivamente a clássicos. Nenhum desses negócios existiria na escala atual sem o crescimento de valorização que atraiu capital para o setor nos últimos dez anos.