Uma cadeia de mecânicos, restauradores, fornecedores de peças e organizadores de eventos vive desse setor, aponta o empresário. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mário Augusto de Castro — Foto: Divulgação Um carro antigo passa na rua e chama atenção pela raridade. Poucas pessoas, porém, param para pensar em quanta gente trabalha para que aquele veículo continue rodando: o mecânico especializado que entende o motor daquela época, o fornecedor que localiza uma peça que não se fabrica mais, o profissional que restaura o estofamento original, o organizador do evento de fim de semana onde o carro será exibido. O mercado de carros clássicos no Brasil movimenta R$ 32,6 bilhões por ano, e boa parte desse dinheiro paga salário de gente que a maioria dos brasileiros nunca associaria a esse universo, do interior de Minas Gerais ao litoral de São Paulo. Um mercado que sustenta empregos pouco visíveis Essa economia passa despercebida porque não tem cara de indústria. É um mecânico aqui, um fornecedor de peças ali, um restaurador em outra cidade, cada um operando de forma pequena e independente. Juntos, porém, sustentam uma cadeia de trabalho real, que vai muito além do comprador e do vendedor do carro em si. Mário Augusto de Castro vê esse mesmo padrão se repetir em vários outros setores do Brasil, do artesanato à gastronomia regional. Sem a cara de um grande empregador reconhecível, como uma fábrica ou uma rede de lojas, esse tipo de economia fragmentada raramente recebe o crédito que merece. Cidades inteiras sentem esse movimento Encontros e feiras de carros antigos, realizados em diferentes regiões do país ao longo do ano, reúnem centenas de milhares de visitantes. O movimento enche hotéis, aumenta o fluxo em restaurantes e no comércio local durante os dias do evento, ainda que o morador da cidade dificilmente associe os carros expostos na praça a esse impacto. Prefeituras que entenderam esse potencial já passaram a apoiar formalmente esses encontros, reconhecendo o ganho econômico real que trazem para o comércio local, inclusive em cidades sem qualquer tradição turística prévia. Um mercado que também abre porta para quem começa agora O crescimento do setor nos últimos anos abriu espaço para quem busca trabalho fora do circuito mais tradicional de empregos formais. Jovens mecânicos se especializam em motores antigos. Outros aprendem a restaurar estofamento ou pintura de época. Há até quem monte negócio organizando logística de transporte, levando carros raros a eventos distantes sem danificar pintura ou mecânica original no caminho. À medida que mais gente descobre esse mercado por meio de plataformas digitais e redes sociais, a demanda por esse tipo de mão de obra especializada cresce junto. Mário Augusto de Castro enxerga nisso o início de uma formalização que um setor construído, por décadas, na base do conhecimento pessoal e da indicação entre poucos entusiastas nunca teve. Essa formalização, na leitura do empresário, tende a beneficiar dois lados ao mesmo tempo: quem já trabalha informalmente ganha a chance de regularizar e expandir o próprio negócio, e o consumidor passa a ter mais garantia na hora de contratar um serviço de restauração ou comprar um veículo de valor elevado, num setor que sempre dependeu quase só de confiança pessoal entre as partes. Mário Augusto de Castro resume o retrato desse mercado numa frase: por trás de cada carro raro exposto num domingo de sol, existe uma cadeia inteira de gente trabalhando durante a semana, quase sempre fora do radar de quem só vê o resultado final na praça.
Quantos empregos o mercado de carros clássicos sustenta no Brasil? Mário Augusto de Castro detalha um setor pouco visível
Uma cadeia de mecânicos, restauradores, fornecedores de peças e organizadores de eventos vive desse setor, aponta o empresário.









