PUBLICIDADE Análise de DNA confirma que animais encontrados em caverna eram lobos, e não cães, e indica que eles viveram sob cuidados de comunidades humanas milhares de anos após a domesticação canina 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lobos — Foto: Valeriy Yurko RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 10:17 Humanos transportaram lobos para ilha na Suécia há 5 mil anos, diz estudo Estudo revela que humanos transportaram lobos para ilha isolada na Suécia há 5 mil anos. Análises de DNA e isótopos confirmam que lobos-cinzentos viveram sob cuidados humanos, consumindo dieta similar à das comunidades locais. A pesquisa sugere transporte por barco, já que a ilha nunca foi ligada ao continente. A descoberta destaca complexa interação entre humanos e lobos pré-históricos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Dois lobos-cinzentos viveram em uma pequena ilha isolada no Mar Báltico entre 3 mil e 5 mil anos atrás depois de, muito provavelmente, terem sido levados por seres humanos de barco. A conclusão é de um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que combina análises de DNA antigo, isótopos e arqueologia para mostrar que os animais conviveram de perto com populações humanas muito tempo depois do surgimento dos cães domesticados. A pesquisa analisou restos mortais encontrados na caverna de Stora Förvar, na ilha de Stora Karlsö, no litoral da Suécia. O local foi ocupado por comunidades de caçadores de focas e pescadores durante o Neolítico e a Idade do Bronze. Embora os ossos tenham sido escavados ainda no fim do século XIX, somente agora testes genéticos permitiram confirmar que pertenciam a lobos-cinzentos (Canis lupus), sem qualquer ancestralidade associada aos cães. O achado chamou a atenção dos pesquisadores porque Stora Karlsö nunca foi ligada ao continente por terra. Com cerca de 2,5 quilômetros quadrados, a ilha sempre esteve cercada pelo mar, o que torna extremamente improvável que os animais tenham chegado ao local sozinhos. Segundo os autores, a explicação mais plausível é que tenham sido transportados por embarcações usadas pelas populações que frequentavam a ilha. Após cachorro escalar pirâmide, vira-latas viram atração turística no Egito 1 de 7 Após cachorro escalar pirâmide, vira-latas viram atração turística no Egito — Foto: Khaled Desouki/AFP 2 de 7 Sob o sol escaldante do Egito, multidões nas Pirâmides de Gizé admiravam as maravilhas antigas, mas alguns estavam atentos a uma nova atração — Foto: Khaled Desouki/AFP X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 À medida que as notícias da ousada escalada de Apollo se espalhavam pelo mundo, crescia o interesse pelos cães — Foto: Khaled Desouki/AFP 4 de 7 A nova fama de Apollo inspirou até mesmo guias locais a incluí-lo e sua matilha em suas histórias para turistas — Foto: Khaled Desouki/AFP X de 7 Publicidade 5 de 7 Comerciante relatou aumento nas vendas graças ao fluxo de turistas ansiosos para conhecer os chamados cães da pirâmide — Foto: Khaled Desouki/AFP 6 de 7 Um guarda da pirâmide, que preferiu permanecer anônimo, também disse que algumas celebridades pagaram por licenças para ter seus próprios cães fotografados com Apollo — Foto: Khaled Desouki/AFP X de 7 Publicidade 7 de 7 Cães, de uma raça local, são conhecidos por sua resiliência, inteligência e capacidade de sobreviver no clima rigoroso do Egito — Foto: Khaled Desouki/AFP Após fama, centro veterinário permanente será estabelecido na região — A descoberta desses lobos em uma ilha remota foi completamente inesperada. Eles tinham ancestralidade indistinguível da de outros lobos da Eurásia, mas pareciam viver ao lado de humanos, alimentando-se da mesma comida, em um lugar que só poderiam ter alcançado de barco — afirmou o arqueólogo Linus Girdland-Flink, da Universidade de Aberdeen e principal autor do estudo, em comunicado. As análises isotópicas mostraram que os dois animais consumiam uma dieta rica em recursos marinhos, principalmente focas e peixes, os mesmos alimentos explorados pelas comunidades humanas da ilha. Esse padrão difere do observado em um cão encontrado anteriormente na mesma caverna, cuja alimentação era baseada principalmente em recursos terrestres. Embora existam populações modernas de lobos costeiros que consomem animais marinhos, como no Alasca e na Colúmbia Britânica, não havia evidências desse comportamento entre lobos da Escandinávia pré-histórica. Os pesquisadores também identificaram indícios de que um dos animais dificilmente conseguiria sobreviver sem ajuda humana. O lobo apresentava alterações ósseas e sinais de problemas de saúde que provavelmente comprometiam sua locomoção. Além disso, possuía baixa diversidade genética e carregava uma variante genética associada, segundo os autores, a processos de seleção promovidos por humanos. Para a equipe, o conjunto das evidências indica que esses animais eram mantidos, alimentados ou, ao menos, tolerados pelas comunidades que ocupavam Stora Karlsö, ainda que não fossem cães domesticados. O estudo não propõe que esses lobos representem uma nova etapa no processo de domesticação dos cães. A domesticação canina ocorreu pelo menos 15 mil anos atrás, muito antes da presença desses animais na ilha. Em vez disso, os autores argumentam que o caso revela uma relação mais complexa entre humanos e lobos, mostrando que populações pré-históricas ainda podiam criar, alimentar ou controlar indivíduos selvagens milhares de anos após o surgimento dos cães. O trabalho, porém, não encerra a discussão. Poucos meses após sua publicação, dois pesquisadores — Luc Janssens, da Universidade de Ghent, e David Mech, um dos maiores especialistas em lobos do mundo — publicaram um comentário na própria PNAS questionando se seria possível que os animais tivessem chegado naturalmente à ilha, por exemplo sobre o gelo durante períodos de inverno rigoroso. Em resposta, os autores do estudo defenderam que a combinação das evidências genéticas, arqueológicas e isotópicas continua favorecendo a hipótese do transporte humano, embora reconheçam que o debate permanece aberto.