O porto de águas profundas Yangshan, em Xangai, onde a Amazon instala novo galpão — Foto: Nelson Ching/Bloomberg A Amazon está ampliando sua rede de armazéns próximos a grandes portos chineses para atender à demanda por um comércio em conformidade com as exigências legais, devido ao aumento da fiscalização sobre mercadorias importadas pelas autoridades alfandegárias dos Estados Unidos. Embora não opere mais uma plataforma de comércio eletrônico na China, o país continua sendo a principal origem dos produtos vendidos pela empresa nos EUA e em outros mercados. Segundo a consultoria Marketplace Pulse, metade dos vendedores ativos da Amazon no mundo era da China no ano passado. Com a concorrência cada vez mais acirrada de plataformas chinesas como Shein e Temu, que disputam espaço no maior mercado consumidor do mundo, fortalecer a logística tornou-se uma prioridade para a Amazon. Ao mesmo tempo, empresas chinesas de logística vêm expandindo suas operações nos EUA em resposta à guerra comercial do presidente Donald Trump, oferecendo serviços que vão do transporte e armazenagem à entrega final. A Amazon começará a operar nesta quinta-feira (16) um centro global de armazenagem e distribuição próximo ao porto de águas profundas de Yangshan, em Xangai, segundo informou a empresa. A instalação, com 20 mil metros quadrados, se soma à unidade inaugurada em abril em Shenzhen, enquanto um terceiro centro, em Ningbo, deverá entrar em operação entre agosto e setembro. Os vendedores chineses poderão armazenar mercadorias nesses centros e enviá-las diretamente aos consumidores americanos. Inicialmente, o serviço atenderá apenas embarques marítimos para os EUA, mas a empresa pretende expandi-lo para outros mercados. Segundo a Amazon, um dos principais diferenciais do serviço é ajudar os vendedores a cumprir as exigências alfandegárias dos EUA, que se tornaram mais rigorosas. Desde 8 de julho, a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos EUA (CPSC) exige o envio eletrônico obrigatório de certificados para produtos importados. A medida busca reforçar o controle sobre mercadorias vendidas pela internet e enviadas diretamente de fábricas no exterior — sobretudo na China — aos consumidores americanos, sem passar pelas inspeções tradicionais. A empresa afirma que as tarifas de armazenagem nesses centros globais são até 45% menores do que as cobradas em seus armazéns nos EUA. Fontes do setor, porém, disseram ao Nikkei Asia que os preços ainda tendem a ser superiores aos praticados por empresas chinesas de logística. A expansão da infraestrutura na China ocorre enquanto a Amazon reduz suas operações em outras partes da Ásia, onde enfrenta concorrentes regionais mais fortes.
Amazon amplia logística na China diante de maior controle alfandegário nos EUA
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