O retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, as medidas de bloqueio econômico intensificadas contra Cuba e as "práticas anti-humanas" contra migrantes adotadas por Washington são o pano de fundo do aumento sem precedentes do fluxo de cubanos ao Brasil, na visão da embaixada da ilha caribenha em Brasília.

Um conflito militar entre EUA e Cuba –ameaças de invasão à ilha são consideradas reais pelo regime cubano– pode piorar esse cenário, com migração desordenada, segundo o embaixador Víctor Manuel Palomo, em entrevista por escrito à Folha.

"Uma guerra militar contra Cuba teria graves consequências. Um conflito militar seria de alta intensidade e levaria à desestabilização da região, com inúmeras mortes entre o povo cubano e cidadãos dos EUA", disse Palomo. "Analistas mencionam que, entre as consequências de uma agressão militar a Cuba, está um possível movimento migratório desordenado."

O retorno de Trump ao poder –e a designação de Marco Rubio como secretário de Estado, cargo de quem exerce a chefia da diplomacia americana– coincide com o aumento das jornadas amazônicas de cubanos no Brasil, conforme o embaixador.

Uma "guerra multidimensional" levada adiante por Trump e Rubio —termo usado para se referir aos bloqueios econômicos sistemáticos— provoca apagões de energia, falta de água potável, queda na produção de alimentos e de medicamentos e deterioração de serviços básicos, segundo Palomo.