Documento divulgado por administração Trump afirma que Havana infiltrou o governo americano, treinou ativistas e mantém rede internacional de apoio ao castrismo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Secretário de Estado, Marco Rubio nega que EUA busquem destituir presidente cubano — Foto: Brendan Smialowski/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/07/2026 - 14:57 EUA Acusam Cuba de Espionagem e Apoio a Terrorismo de Esquerda Os EUA acusam Cuba de espionagem e apoio ao terrorismo de esquerda, segundo relatório do Departamento de Estado. O documento alega que Cuba, ao longo de 70 anos, infiltrou-se no governo dos EUA, treinou ativistas e manteve redes de apoio à extrema esquerda. O secretário Marco Rubio afirma que Havana ajudou a construir a extrema esquerda nos EUA e no continente, evocando tensões da Guerra Fria. O relatório não traz novas sanções, mas detalha acusações e sugere uma coalizão global de apoio cubano a movimentos extremistas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Apenas dias após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, convocar 66 países para formar uma aliança contra o que definiu como o avanço do “terrorismo de extrema esquerda”, o Departamento de Estado, comandado por Rubio, publicou nesta segunda-feira um relatório intitulado “Cuba: a capital do comunismo do século XXI”. Ao longo de 100 páginas, o novo documento acusa a ilha de conduzir, durante quase 70 anos, uma campanha de espionagem, subversão e infiltração em território americano. O texto diz que, nesse período, “o regime cubano conduziu uma campanha sustentada de subversão contra os EUA”, e que ela “conseguiu se infiltrar nas mais altas esferas do governo americano, recrutar e formar gerações de ativistas americanos, apoiar uma onda sem precedentes de terrorismo de esquerda em solo americano e executar uma das operações de infiltração de inteligência estrangeira mais duradouras e prejudiciais da história dos EUA”. Rubio, de origem cubana, afirmou que as redes de inteligência e influência ideológica de Havana ajudaram a construir a extrema esquerda nos EUA e no continente americano e seguem ligadas a movimentos de esquerda em outros países. O relatório, assim como a retórica de Rubio, evocam o fantasma do comunismo nos moldes dos anos mais tensos da Guerra Fria. O texto diz que os cubanos, diante de sua inferioridade militar, “aperfeiçoaram um novo modelo de guerra prolongada de desgaste, estruturado em torno da sabotagem”. “O ataque de Cuba contra os EUA nunca foi, em essência, uma disputa sobre política econômica, soberania ou mesmo sobre a posse de um território específico. Foi uma revolução contra a própria civilização ocidental”, diz o relatório: “Ao contrário de qualquer outro aspecto do Estado falido de Cuba, esse modelo obteve um sucesso notável”. Lista de acusações A publicação do relatório ocorre após mais de seis meses de uma operação imposta por Washington à população cubana, submetida a uma dupla pressão: de um lado, o embargo americano, agravado pelo estrangulamento das vias de abastecimento de petróleo venezuelano após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro. De outro, um regime que, ainda assim, sentou-se para negociar com o antigo rival. Havana acaba de impulsionar uma nova onda de reformas econômicas, em uma guinada inédita para a ilha comunista. As medidas de caráter liberal incluem mudanças na organização das empresas privadas e estatais, no sistema bancário, no turismo, na agricultura, no investimento estrangeiro, nos impostos, nos salários e no mercado cambial. Rubio, no entanto, as considera insuficientes. — As extensas redes de inteligência e ideológicas do regime cubano ajudaram a construir a extrema esquerda em nosso país e em nosso hemisfério e continuam intrinsecamente ligadas a grupos e movimentos de extrema esquerda em todo o Ocidente e além dele — disse Rubio em seu discurso na reunião ministerial da semana passada. O relatório não anuncia novas sanções nem medidas concretas, mas detalha uma longa lista de acusações contra organizações americanas ainda em atividade. Trump declarou repetidas vezes que o governo cubano poderia ser o próximo, depois da Venezuela, a sucumbir à pressão dos Estados Unidos. Em junho, afirmou que Washington “assumiria o controle” da ilha caribenha, situada a cerca de 145 km da Flórida, “quase imediatamente”. Ainda não está claro se a publicação servirá de prelúdio ao anúncio de novas medidas por parte dos EUA. Coalizão mundial O texto divulgado nesta segunda diz que Cuba tem se dedicado “a recrutar, formar e mobilizar uma coalizão mundial de ativistas, intelectuais e grupos políticos” em torno de sua causa, “construindo uma vasta rede revolucionária que exerceu influência desproporcional sobre alguns dos movimentos extremistas mais conhecidos e influentes dos EUA, dos Panteras Negras e do Weather Underground até a Antifa”. Em setembro, Trump anunciou a designação da Antifa — uma constelação de organizações com vínculos pouco definidos entre si — como grupo terrorista. A decisão foi anunciada uma semana após o assassinato do jovem líder do movimento MAGA e aliado de Trump, Charlie Kirk, crime pelo qual o republicano responsabilizou a “esquerda radical”, embora não haja provas de que o suposto assassino, Tyler Robinson, tenha agido com apoio de terceiros. “Hoje, essa rede continua mantendo vínculos com poderosas organizações de esquerda sem fins lucrativos, coletivos contrários ao ICE, grupos socialistas e organizações marxistas militantes em todo o território americano”, argumenta o texto. Revisão histórica O documento faz uma revisão detalhada da história de Cuba desde a Revolução de 1959, dividindo-a em capítulos com títulos como “O nascimento de uma nova esquerda”, sobre os primeiros anos da revolução; “Um império de espionagem”, centrado na década de 1980; “A revolução racial”, dedicado aos vínculos do castrismo com os movimentos antirracistas dos EUA; e “Turismo Revolucionário”, que trata das viagens de ativistas estrangeiros em solidariedade à ilha. “O Comboio Nossa América, de março de 2026, constituiu um ponto de inflexão importante para a esquerda internacional”, que “se mobilizou para transportar mercadorias a Cuba desafiando as sanções dos EUA”, afirma o relatório. O texto lembra que a caravana reuniu 120 organizações de 33 países e cita alguns dos participantes mais conhecidos: o podcaster Hasan Piker; o ex-líder do Partido Trabalhista britânico Jeremy Corbyn; o ex-vice-presidente da Espanha Pablo Iglesias; e a filha da deputada americana por Minnesota Ilhan Omar. O relatório também aponta diversos grupos de esquerda atualmente ativos nos Estados Unidos, e não apenas organizações marginais. Dedica atenção especial ao partido dos Socialistas Democráticos da América, que ganhou projeção com a vitória de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York e vem obtendo vitórias nas primárias democratas em todo o país entre uma base de eleitores mobilizada pela deriva autoritária do governo Trump e pelo apoio dos Estados Unidos a Israel. “Confundir a pobreza de Cuba com falta de periculosidade é não compreender a natureza da ameaça”, diz o relatório. “Seu poder sempre foi ideológico, subversivo e parasitário; e demonstrou uma notável capacidade de sobrevivência, resistindo ao desaparecimento do império soviético que ajudou a moldá-lo e enraizando-se em cada novo inimigo dos Estados Unidos surgido desde então. Hoje, atua como o elo de ligação de uma coalizão antiamericana mais ampla, uma plataforma na qual convergem as ambições de Moscou, Pequim e Teerã com os movimentos radicais que operam dentro de nossas próprias fronteiras”. (Com AFP)