Manifestação atende a pedido de Moraes, que suspendeu visitas do senador ao pais após leitura do texto Senador Flávio Bolsonaro exibe em suas redes sociais carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução/YouTube - Flávio Bolsonaro A defesa de Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (15) que não autorizou o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a divulgar uma carta do ex-presidente nas redes sociais. Bolsonaro também afirmou que não sabia que o material seria publicado. A manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira, Moraes suspendeu, por 90 dias, visitas de Flávio a Bolsonaro. O argumento é que a divulgação da carta viola a cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais, suas ou por intermédio de terceiros. Se Moraes concluir que houve de fato descumprimento de decisão cautelar por parte de Bolsonaro, ele pode revogar a prisão domiciliar em benefício do ex-presidente. Antes de cumprir pena em casa, Bolsonaro estava preso na Papudinha, em Brasília. Ministros do STF não acreditam em uma revogação da domiciliar neste momento. Na carta, Bolsonaro coloca seu primogênito como “porta-voz” e pede unidade em torno da campanha de Flávio. Segundo a defesa, o ex-presidente “jamais soube” que o material seria publicizado, “tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”. “Reitera-se, por fim, que o Peticionário jamais buscou utilizar terceiros para contornar as restrições impostas por Vossa Excelência, permanecendo fiel ao cumprimento das cautelares desde o início do regime domiciliar humanitário, comprometendo-se a continuar observando rigorosamente todas as condições estabelecidas por esse juízo”, prossegue. Além dos advogados habituais de Bolsonaro, o próprio Flávio assina a petição enviada a Moraes. Ele está habilitado nos autos para atuar por seu pai, mas não costuma peticionar no Supremo. Desde a proibição de visitas, no entanto, tem afirmado que deve ser autorizado a se comunicar com o pai porque integra a defesa do ex-presidente. Ontem, atendendo a uma representação de Flávio, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu que Moraes reconsiderasse a proibição de visitas. O argumento é justamente o de que o senador integra a defesa do pai. Entenda o caso Ao barrar visitas de Flávio, Moraes entendeu que o senador violou a cautelar de proibição de redes sociais. "O desrespeito de Flávio Bolsonaro à medida cautelar está totalmente configurado”, afirmou. Moraes disse ainda que Flávio utilizou a carta como “instrumento de promoção política de sua pré-candidatura”, com a utilização “de expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto”, o que poderia configurar propaganda eleitoral antecipada em período vedado. Com relação a Bolsonaro, Moraes afirmou que um trecho da carta sugere que o ex-presidente “tinha plena ciência” de que o texto seria divulgado. Na passagem citada, Bolsonaro diz que quer dar um “recado muito importante” para “toda a nossa nação”. A “carta aos brasileiros” foi lida por Flávio em transmissão ao vivo realizada no sábado. No texto, Bolsonaro exorta os apoiadores a deixarem diferenças de lado, e se unirem em torno do nome de Flávio. O manuscrito foi divulgado após desentendimento público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Defesa diz ao STF que Bolsonaro não autorizou Flávio a divulgar carta
Manifestação atende a pedido de Moraes, que suspendeu visitas do senador ao pais após leitura do texto










