PUBLICIDADE Na manifestação enviada ao Supremo, ex-presidente afirmou que não sabia que o filho divulgaria a "Carta aos Brasileiros e Moraes mandou PGR se manifestar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exibe carta escrita pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 19:46 Desentendimento entre Bolsonaro e Flávio sobre "Carta aos Brasileiros" agita cenário político A defesa de Jair Bolsonaro desautorizou seu filho Flávio ao afirmar ao STF que desconhecia a divulgação da "Carta aos Brasileiros". A ação, vista como desagregadora, complica a união de aliados em torno da candidatura de Flávio à Presidência. A manifestação enviada ao STF gerou desconforto político, já que Flávio sustentava que a iniciativa era do pai. O episódio reacende preocupações jurídicas e políticas no entorno de Bolsonaro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A estratégia adotada pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para responder aos questionamentos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a divulgação da "carta aos brasileiros" provocou desconforto entre aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Na avaliação de interlocutores, a versão apresentada à Corte acabou “desautorizando” o senador justamente no momento em que ele tenta consolidar sua liderança e unificar o bolsonarismo em torno de sua candidatura. Na manifestação enviada ao STF nesta quarta-feira, os advogados de Bolsonaro afirmaram que o ex-presidente "jamais soube que a carta seria publicizada" e que não houve qualquer "orientação, ajuste ou combinação prévia" para que o documento fosse divulgado nas redes sociais. A resposta foi apresentada após Moraes dar prazo de 48 horas para que a defesa esclarecesse se Bolsonaro tinha conhecimento de que o texto seria lido pelo filho em uma transmissão ao vivo — o que foi feito no último sábado. Após receber a manifestação, Moraes encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), que terá cinco dias para emitir parecer sobre a explicação. O ministro já havia determinado, na segunda-feira, o envio do caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada e suspendido por 90 dias o direito de visita de Flávio ao pai, por entender que o senador utilizou o encontro para obter um documento destinado à divulgação nas redes sociais. Reservadamente, aliados de Flávio afirmam que a linha de defesa adotada por Bolsonaro criou um problema político para o senador. Eles lembram que, desde a divulgação da carta, Flávio sustentava a pessoas próximas que a iniciativa havia partido do próprio pai e chegou a agradecer, durante a transmissão, por ser escolhido como seu "porta-voz". Na avaliação desse grupo, a versão apresentada agora ao STF transmite a impressão de que a decisão de tornar o documento público partiu exclusivamente do senador. — Fica-se muita especulação acontecendo. (...) O que ele está dizendo aqui é muito simples. Primeiro, agradecer a ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes — afirmou Flávio durante a live em que leu a carta. Na leitura de interlocutores do senador, Bolsonaro optou por afastar o risco de ser acusado de descumprir as restrições impostas pela prisão domiciliar, ainda que isso significasse contrariar a narrativa construída pela própria campanha. Para esse grupo, o ex-presidente acabou deixando Flávio em uma situação constrangedora ao atribuir ao filho a iniciativa de divulgar o documento. Além disso, dizem, o episódio dificulta o esforço do presidenciável para reunir diferentes correntes do bolsonarismo, ponto tratado pela carta, que foi escrita justamente para encerrar disputas internas em torno da sucessão de Bolsonaro e reforçar a autoridade política de Flávio, em meio às divergências envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e outros aliados que resistem à sua liderança. Nos bastidores, interlocutores também demonstram ceticismo em relação à eficácia da tese apresentada ao STF. A percepção é de que a justificativa dificilmente convencerá Moraes e que, caso isso ocorra, o desgaste político causado à campanha terá sido desnecessário. Aliados também afirmam que o episódio reacende uma preocupação recorrente no entorno do ex-presidente, de que Flávio volte a ser apontado como pivô de problemas jurídicos envolvendo o pai. Reservadamente, integrantes do grupo lembram que decisões anteriores de Moraes já mencionaram episódios relacionados ao senador, como a convocação de uma vigília em apoio a Bolsonaro e uma videochamada exibida durante uma manifestação, fatos que também acabaram produzindo consequências para o ex-presidente. No sábado, ao divulgar a carta, Flávio afirmou que o documento representava um recado do pai para que apoiadores deixassem as divergências de lado e apoiassem sua pré-candidatura. No texto, Bolsonaro apresenta o filho como seu "porta-voz", pede união em torno de sua candidatura e o define como "a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento". Na manifestação enviada ao STF, porém, a defesa sustentou que Bolsonaro apenas entregou a carta ao filho durante uma visita e que desconhecia a intenção de divulgá-la em uma transmissão ao vivo, uma escolha feita sem sua "ciência prévia". Os advogados também argumentaram que outras cartas escritas pelo ex-presidente já haviam sido tornadas públicas anteriormente sem questionamentos da Corte e defenderam que ele "jamais buscou utilizar terceiros para contornar as restrições" impostas pela prisão domiciliar.