O objetivo, com os novos ataques, é tentar diminuir a capacidade militar do Irã antes de executar operações mais complexas contra o país Ataque das forças americanas a alvo no Irã — Foto: Altaf Qadri/AP As recentes ondas de ataques dos Estados Unidos ao Irã, destinadas a forçar a reabertura do Estreito de Ormuz, também têm como alvo capacidades militares iranianas que as forças americanas desejariam destruir antes de executar operações mais complexas contra o país. As informações são de três autoridades americanas, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de assuntos sigilosos. Elas disseram que os ataques ampliam, na prática, o leque de opções militares do presidente Donald Trump, que tem mantido o mundo sob uma onda de incerteza sobre seus próximos passos desde que notificou o Congresso, no fim de semana passado, sobre a retomada formal do conflito. Ao entrar no quinto mês, a guerra contra o Irã continua intensa após o colapso de um memorando de entendimento que pretendia interromper os combates e abrir caminho para um acordo de paz. Apesar dos duros golpes sofridos pelas Forças Armadas iranianas desde o início da campanha dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro, Teerã ainda mantém uma capacidade significativa de drones e mísseis e atacou petroleiros em trânsito, além de países vizinhos do Golfo. Os militares americanos afirmam que os bombardeios mais recentes tiveram como alvo sistemas de defesa aérea iranianos, radares costeiros, instalações de mísseis e drones, além de pequenas embarcações e outros ativos marítimos. Uma das autoridades americanas disse que os ataques podem ser vistos como "operações de preparação", destinadas a degradar as defesas iranianas caso os militares dos EUA sejam encarregados de realizar operações mais intensas no futuro. "Isso está ajudando a preparar o terreno, se necessário", afirmou a autoridade. Opções militares Em março, a Reuters informou que os militares americanos elaboravam planos para criar opções de deslocamento de tropas à costa iraniana a fim de reforçar a segurança do estreito. Na ocasião, autoridades disseram que o governo Trump também discutia o envio de forças terrestres para a ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Uma operação desse tipo seria arriscada, já que o Irã poderia bombardear a ilha com mísseis e drones lançados do continente. Trump afirmou na terça-feira que ordenou aos militares que evitassem atacar instalações petrolíferas iranianas durante bombardeios anteriores contra a ilha de Kharg. Mas deixou em aberto a possibilidade de tomar a ilha. "Se degradarmos suficientemente suas capacidades, eu faria isso", disse à Fox News. Trump também ameaçou atacar uma instalação ligada ao programa nuclear iraniano conhecida como Pickaxe Mountain, um complexo fortificado enterrado profundamente no subsolo próximo a um dos principais centros nucleares de Teerã. Mark Cancian, coronel reformado dos Fuzileiros Navais dos EUA e pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), afirmou que a disposição de Trump de discutir publicamente opções militares, como a tomada da ilha de Kharg, é uma faca de dois gumes. Isso pode ajudar a diplomacia ao manter os iranianos sob pressão. Mas é "ruim para os militares, porque estamos dizendo para onde poderemos ir", afirmou. Impasse estratégico Críticos da guerra de Trump contra o Irã, inclusive no Congresso americano, afirmam que, embora a campanha tenha obtido vitórias táticas ao destruir grande parte das forças convencionais e da base industrial de defesa iranianas, fracassou estrategicamente ao não conseguir arrancar concessões de Teerã. O conflito também levou o Irã a exercer uma influência sem precedentes sobre o Estreito de Ormuz, um gargalo estratégico por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo bruto. Mesmo com sua Marinha convencional amplamente destruída, o país ainda pode atacar embarcações comerciais usando drones e foguetes. Segundo autoridades americanas, isso desencadeou um debate dentro do governo Trump sobre o melhor caminho a seguir. Uma quarta autoridade afirmou que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, defende a ampliação da operação militar contra o Irã. Imran Bayoumi, ex-funcionário do Pentágono e, atualmente, integrante do Atlantic Council, afirmou que as declarações abrangentes de Trump nos últimos dias sobre o Irã parecem ter como objetivo pressionar Teerã nas negociações e manter o governo iraniano em dúvida sobre os próximos passos militares dos Estados Unidos. "Eu separaria o ruído das ações", disse Bayoumi. "Imagino que as discussões entre ele e sua equipe de segurança nacional sejam um pouco diferentes do que ele publica nas redes sociais."
Nova onda de ataques amplia leque de opções de Trump em guerra contra o Irã
O objetivo, com os novos ataques, é tentar diminuir a capacidade militar do Irã antes de executar operações mais complexas contra o país












