IA mostra que Magnus Carlsen não é bom enxadrista e não somos tão inteligentesA inteligência humana é limitada, especializada e cheia de fracassos que nem sequer percebemos. Crédito: EstadãoUm grupo de 26 funcionários da Meta processou a empresa, alegando uso de IA para demissões, afetando desproporcionalmente quem estava em licença médica ou parental. A ação, movida na Califórnia, acusa a Meta de ignorar licenças protegidas ao usar algoritmos para avaliar desempenho. A empresa nega as acusações. A ação cita violações de leis como a Lei de Licença Familiar e Médica e a Lei dos Americanos com Deficiência, destacando o impacto desigual sobre mulheres e trabalhadores em licença.Um grupo de 26 funcionários da Meta entrou com uma ação judicial contra a empresa, alegando que ela usou sistemas de inteligência artificial para selecionar pessoas para demissão, afetando de forma desproporcional aqueles que estavam em licença médica, parental ou familiar.PUBLICIDADEEm comunicado, a empresa afirma que as alegações “carecem de fundamento e não se baseiam em fatos”. “A gestão da força de trabalho e as decisões organizacionais foram e são tomadas por pessoas, não por IA”, disse a Meta.O grupo que recorreu à Justiça faz parte dos 8 mil funcionários — cerca de 10% da força de trabalho — que a Meta anunciou que demitiria em maio. A ação movida na noite de segunda-feira, 13, no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, alega que a empresa usou sistemas internos de IA, dados de monitoramento de teclas digitadas e atividades, painéis de uso de tokens de IA e classificações de desempenho assistidas por algoritmos, entre outros métodos, para determinar quem seria demitido.PublicidadeMeta diz que decisões organizacionais são tomadas por pessoas, não por IA Foto: Adobe StockMuitas dessas pontuações e classificações, “por definição, não podem ser acumuladas por um funcionário que esteja em licença médica ou familiar protegida, ou cuja produtividade seja reduzida por uma deficiência”, afirma a ação judicial. A Meta, de acordo com a ação, não levou em conta as licenças protegidas ao avaliar as pontuações dos funcionários e “não suspendeu o sistema para a análise individualizada, neutra em relação a licenças e adaptações, exigida por lei”.Leia tambémComo o Brasil pode usar a inteligência artificial para ganhar a Copa de 2030CEO do SoftBank rejeita temor de bolha da IA e prevê US$ 5 trilhões anuais em investimentosCoreia do Sul eleva previsão de crescimento econômico em meio popularização da IAComo resultado, as pessoas em licença médica ou parental protegida foram selecionadas de forma desproporcional para demissões, afirma a ação judicial. Cada um dos 26 funcionários anônimos envolvidos na ação tirou licença protegida e solicitou ou recebeu uma adaptação razoável por deficiência. Embora tenham sido notificados sobre suas demissões, todos os 26 continuam empregados pela Meta, com as demissões previstas para começar em 22 de julho.Trabalhadores estavam em licença parentalMuitos dos funcionários incluídos na ação judicial tiraram licença-maternidade ou licença parental, período durante o qual não teriam trabalhado e, portanto, tiveram sua produtividade medida reduzida. Outros tiraram licença médica — um deles revelou uma “condição de saúde grave e deficiência” que foi aprovada pelo próprio provedor de saúde da Meta. Mas, de acordo com a ação judicial, ele foi “desencorajado e dissuadido de tirar essa licença por um gerente”, que o alertou de que isso resultaria em sua seleção para as demissões previstas. A Meta não ofereceu nenhuma adaptação para sua deficiência, afirma a ação judicial.Cerca de metade dos autores da ação havia tirado licença para cuidar de familiares ou por motivos relacionados à gravidez. Oito são mulheres que tiraram licença-maternidade ou licença relacionada à gravidez, quatro são homens que tiraram licença parental e uma é uma mulher que tirou licença para cuidar de um familiar e, posteriormente, licença por luto.A ação judicial alega que as demissões violaram várias leis estaduais e federais, incluindo a Lei de Licença Familiar e Médica (Family and Medical Leave Act), a Lei dos Americanos com Deficiência (Americans with Disabilities Act), a Lei contra a Discriminação por Gravidez (Pregnancy Discrimination Act) e a Lei de Equidade para Trabalhadoras Grávidas (Pregnant Workers Fairness Act).Ação judicial cita ‘impacto desigual’A denúncia também faz referência à “responsabilidade por impacto desigual”, um conceito de longa data em direitos civis que o governo do presidente Donald Trump tentou abandonar. O impacto desigual, codificado no Título VII da Lei dos Direitos Civis de 1964, sustenta que políticas ou práticas aparentemente neutras podem ser discriminatórias se sobrecarreguem desproporcionalmente uma classe protegida de trabalhadores e não sejam necessárias para o trabalho.PublicidadeO governo Trump ordenou que as agências federais deixassem de priorizar a aplicação da responsabilidade por impacto desigual, argumentando que sua aplicação prejudica a “meritocracia” e incentiva a suposição de que qualquer desequilíbrio racial ou de gênero na força de trabalho seja resultado de discriminação. A ordem levou a Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego (EEOC) a desistir de processos por discriminação em nome de alguns trabalhadores.No entanto, o processo contra a Meta ressalta que as empresas continuam vulneráveis a litígios por impacto desigual na era da IA, apesar dos esforços do governo Trump para coibir sua aplicação. Os trabalhadores ainda têm liberdade para entrar com tais ações por conta própria caso a EEOC rejeite suas reclamações, e várias leis estaduais proíbem especificamente a discriminação por impacto desigual.CONTiNUA APÓS PUBLICIDADENo processo contra a Meta, os advogados dos autores argumentaram que o “processo de seleção assistido por algoritmos da empresa, ao registrar sistematicamente ausências como redução de desempenho, afeta mais as mulheres do que os homens”. Isso porque as mulheres tiram licenças por gravidez e para cuidar de familiares de forma desproporcional, segundo os advogados. A ação cita a proibição do Título VII contra práticas trabalhistas que tenham impacto desigual, bem como uma decisão histórica da Suprema Corte de 1971 que reconheceu essa doutrina.Os advogados dos autores da ação afirmaram em um comunicado que a ação judicial visa um único objetivo — preservar o status quo para manter os trabalhadores empregados enquanto se aguarda a arbitragem. Isso porque “uma vez que essas demissões se tornem definitivas, os danos serão irreversíveis: perda do plano de saúde subsidiado pelo empregador durante a gravidez, a recuperação pós-parto e o tratamento médico em andamento; extinção dos direitos a licenças com prazo determinado; perda das ações ainda não consolidadas; e consequências relacionadas à imigração”./AP
Meta: funcionários processam empresa por usar IA em demissões sem considerar quem estava de licença
Grupo de 26 funcionários entrou com ação alegando que seleção de demissões por IA afetou desigualmente trabalhadores em licença médica e parental; Meta diz que acusação não tem fundamento










