Lateral brasileiro foi drogado com tranquilizante pelo time azul e branco no Mundial de 1990; Maradona confessou falcatrua às gargalhadas durante programa de TV, anos depois 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O lateral Branco em lance do jogo contra Argentina na Copa de 1990 — Foto: Otávio Magalhães/Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 11:33 Confissão de Maradona sobre dopagem de Branco em 1990 gera polêmica Em 1990, durante a Copa do Mundo, a seleção argentina foi acusada de dopar o jogador brasileiro Branco com um tranquilizante misturado na água. Maradona, em 2004, riu ao confessar o incidente em um programa de TV, mencionando o uso de Rohypnol. O técnico Carlos Bilardo, conhecido por práticas antiéticas, também admitiu o caso. A situação gerou revolta e pedidos de investigação pela FIFA, mas não avançou. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil jogou sua melhor partida na Copa do Mundo da Itália, em 1990, nas oitavas de final contra a Argentina. A seleção acertou a trave três vezes e manteve a posse de bola por 61% do tempo. Mas um lance genial de Maradona decidiu tudo. Aos 35 minutos do segundo tempo, ele achou Caniggia livre na área. O atacante driblou o goleiro Taffarel e mandou para as redes. O placar de 1 a 0 eliminou o Brasil precocemente, e o jogo virou história. Anos depois, porém, o próprio Maradona confessou uma falcatrua de seu time em campo. Aquela foi a última vitória argentina sobre uma seleção campeã do mundo com a bola rolando numa Copa. Desde então, os "hermanos" chegaram à final do torneio três vezes (1990, 2014 e 2022). Em 36 anos, o país encarou quatro detentoras do título, sempre na fase do "mata mata": Alemanha, Inglaterra França e Itália. Mas só avançou após vencer nos pênaltis. O duelo contra a Inglaterra, nesta quarta, na semifinal do Mundial deste ano, pode quebrar esse jejum de 36 anos. Ou não. Contra a Alemanha, foram três derrotas no tempo regulamentar e um empate, nas quartas de final de 2006, quando a Argentina foi eliminada nos pênaltis. Diante de ingleses, o time azul e branco empatou uma, mas se classificou nos pênaltis, em 1998, e perdeu a outra, por 1 a 0, em 2002. Contra a França, a seleção argentina empatou duas vezes: foi eliminada nos pênaltis, nas oitavas de final, em 2018, na Rússia, e conquistou o título também nos pênaltis, na final da Copa do Qatar, em 2022. Branco bebeu 'água batizada' dos argentinos O duelo desta quarta entre Inglaterra e Argentina vai acontecer em um estádio climatizado, em Atlanta. Os atletas não sentirão o calor do verão americano. Seja como for, os britânicos que tiverem sede na partida não devem aceitar um gole de água dos rivais. Quem pode explicar o motivo da precaução é o lateral-esquerdo Branco. Quando o jogo na Copa de 1990, ele estava indignado. Sabia que tinha sido vítima de uma "lance" desleal que só seria admitida publicamente por Maradona em 2004. Aos 38 minutos do primeiro, o zagueiro Ricardo Rocha fez uma falta dura no meia Pedro Troglio, que ficou rolando no chão de dor. Eis que entra em campo um massagista com várias garrafas em cores diferentes. Estava muito quente em Turim, e Branco, pediu um gole de água ao auxiliar rival. Ele bebeu de uma garrafa verde com rótulo de uma marca de isotônicos. Segundo Maradona em entrevista no programa "Mar Del Fondo", do canal argentino TyC Sports, em 2004, a água estava "batizada". Maradona na entrevista em que relembrou caso da 'água batizada' — Foto: Reprodução/TV Globo "Alguém pingou Rohypnol na água" disse o craque argentino aposentado, entre gargalhadas, citando a conhecida droga tranquilizante de uso psiquiátrico e dizendo que a culpa era do massagista. "Depois do jogo, estavam os dois ônibus juntos, e Branco me olhava pela janela e apontava pra mim com o dedo, me culpando, e eu respondia com gestos de que não tinha nada a ver com aquilo. Branco jogava na Itália naquela época e tínhamos boa relação. Depois disso não conversamos mais". O próprio Branco acusara o golpe em entrevista a vários jornalistas, no dia seguinte ao jogo. Ele contou que começou a se sentir tonto depois de beber a água dos argentinos. O jogador passou o intervalo sem saber se teria condições de voltar para o campo. Ele retornou no segundo tempo e melhorou após alguns minutos. Branco também ressaltou que, se fosse chamado para um exame antidoping depois da partida, sua carreira teria sido arruinada. "Eles são assim, jogam sujo". O atleta contou que percebeu a farsa no segundo tempo. Depois de uma outra falta, ele viu quando um argentino pegou a mesma garrafa para beber, mas foi impedido pelo massagista, que deu ao jogador outro recipiente. A entrevista foi exibida pela TV Globo, mas, na época, o caso não foi adiante. O livro "Copa Loca: As Inacreditáveis Histórias da Argentina nos Mundiais" (2018), dos jornalistas Celso de Campos Jr., Giancarlo Lepiani e Tales Torraga, resgata o episódio. De acordo com o jornal Clarin, um dos maiores do país vizinho, o massagista Miguel de Lorenzo, conhecido como Galíndez, foi quem colocou droga na água, sob ordens do técnico Carlos Bilardo. Mas, durante a entrevista de dezembro de 2004, Maradona conta que sabia de tudo e chegou a evitar que um colega bebesse da garrafa. O treinador Carlos Bilardo durante a Copa de 1990, na Itália — Foto: Custódio Coimbra/Agência O GLOBO Carlos Bilardo tinha reputação de trapaceiro desde os tempos de jogador, quando foi acusado de levar alfinetas para espetar os adversários e até de jogar terra nos olhos deles. Em janeiro de 2005, semanas depois da participação de Maradona no canal TyC Sports, o treinador, que também era médico, admitiu de certa forma o golpe contra a seleção brasileira em 1990: "Não posso dizer que não aconteceu", afirmou em entrevista à revista “Ventitres. Essa "confissão" trouxe o caso de volta à tona. Branco foi procurado pelo Jornal O GLOBO para comentar a confirmação do caso que ele próprio tinha tentando denunciar em 1990 e se disse "revoltado". Voltou a afirmar que poderia ter sido suspenso por muito tempo se caísse no exame antidoping, mas ponderou que a farsa não alterou o placar, já que ele não participou da jogada do gol de Caniggia. Técnico do Brasil na Copa da Itália, Sebastião Lazaroni pediu uma apuração rigorosa da Fifa depois da entrevista de Billardo. 'Boa noite, Cinderela' na seleção brasileira "Não importa se faz 14 anos ou 14 dias. A Fifa deve punir Billardo e o massagista de forma exemplar. Quem garante que não agiram da mesma forma em outros jogos?", disse ele ao GLOBO. "Isso não é malandragem, é jogo sujo. Deram um 'boa noite, Cinderela' na seleção brasileira". Representantes da CBF condenaram a atitude dos argentinos, e a entidade ficou de reunir um dossiê sobre o caso para enviar à Fifa, com o objetivo de pressionar por uma apuração. Já o então presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) e vice-presidente da FIFA, Julio Grondona, disse que o excraque Diego Maradona “não estava em sua sã consciência” quando falou sobre o episódio durante o programa. Não precisava ser um vidente, na época, para saber que o caso não iria adiante.