As taxas de juros mais atrativas foram o principal atrativo para empresas industriais buscarem crédito nos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) entre 2022 e 2025. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quarta-feira (15), mostra que 94% das indústrias apontaram esse como o principal fator para recorrer aos recursos. Segundo a CNI, o resultado contrasta com o de outras sondagens, nas quais o custo do crédito aparece como o principal obstáculo ao financiamento. Para Júlia Dias, analista de Políticas e Indústria da entidade, os dados indicam que, mesmo em um cenário de juros elevados, os fundos constitucionais conseguem mitigar esse problema. “As taxas de juros costumam ser o maior entrave para a obtenção de crédito no país, ainda mais quando estão em um patamar tão elevado, como o atual. A pesquisa mostra que a política pública tem conseguido sanar esse gargalo, mas é preciso ponderar que os juros médios cobrados da indústria ainda são bem maiores do que para o setor rural, por exemplo. Há abertura para equalizar essa diferença”, aponta Dias. Criados pela Constituição Federal e regulamentados em 1989, os Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO) têm como objetivo promover o desenvolvimento econômico e social dessas regiões. Os recursos são operacionalizados por instituições financeiras de caráter regional, como o Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste, que oferecem linhas de financiamento a produtores rurais, empresas de diferentes portes, pessoas físicas e jurídicas e cooperativas de produção. Além da taxa de juros, os empresários também destacaram os prazos de pagamento e de carência (56%) e o relacionamento prévio com o banco operador (24%) como fatores importantes na decisão de buscar recursos por meio dos fundos. Entre as indústrias que conhecem os fundos, mas não solicitaram crédito, 38,5% apontaram a aparente burocracia ou demora do processo para obter financiamento como o principal entrave. Na sequência, a falta de informação suficiente e a falta de necessidade de crédito no período aparecem empatadas, com 28,2%. As indústrias também foram questionadas sobre o grau de exigência das garantias solicitadas durante a tentativa de contratação do crédito. Segundo a pesquisa, 56% classificaram as exigências requeridas pelos bancos operadores como razoáveis, considerando o perfil da empresa. Outros 38% dos industriais afirmaram que os bancos foram exigentes demais com as garantias, e 6% os classificaram como pouco exigentes. Segundo a pesquisa, as indústrias procuraram crédito para investimentos de natureza estrutural. Desse total, 56% das empresas tinham como objetivo a compra de máquinas e equipamentos, 22% visavam à construção, manutenção, modernização ou instalação de planta, fábrica ou armazém, e apenas 18% buscavam crédito para capital de giro. “O uso dos recursos para a compra de máquinas e equipamentos e melhoria da estrutura das empresas está alinhado com o objetivo da política pública. Esse crédito mais estruturante vai contribuir para a incorporação de novas tecnologias, o aumento da produtividade e, de forma geral, a competitividade das empresas”, afirma a economista. Entre os empresários que conseguiram o crédito, 88,6% afirmaram que os recursos tiveram impacto positivo nas operações, sendo as principais razões apontadas a viabilização da compra de máquinas e equipamentos (62,2%), da expansão física da empresa (37,8%) e a contribuição para a geração de empregos (29,7%). Apenas 5,4% atribuíram o impacto positivo gerado pelo crédito à recuperação financeira. A pesquisa foi realizada no âmbito de um acordo de cooperação técnica entre a CNI e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), com o objetivo de ampliar a participação da indústria na destinação dos recursos. Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, foram consultadas 147 empresas industriais das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, além de municípios elegíveis de Minas Gerais e do Espírito Santo, atendidos pelos fundos.