Levantamento da Confederação Nacional da Indústria teve como objetivo captar a percepção dos empresários sobre os efeitos da política monetária no setor Cerca de 45% das indústrias projetam alta do endividamento bancário nos próximos três meses, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa aponta também que os empresários acreditam que as companhias ainda devem enfrentar um ambiente financeiro restritivo, com custo elevado do crédito e pressão sobre os preços de venda. O levantamento afirma também que 51% das empresas esperam aumento da necessidade de buscar financiamento em contas a receber nos próximos três meses, possivelmente associado ao risco de inadimplência ou atraso no pagamento dos clientes. Apenas 12% esperam redução ou forte redução dessa necessidade. Parte das empresas consultadas (45%) também projetam aumento das taxas cobradas pelos bancos, percentual que sobe para 56% entre aquelas que devem aumentar a procura por crédito associado a contas a receber. Sobre o financiamento dos estoques nos próximos três meses, 48% dos empresários projetam aumento da necessidade, enquanto apenas 9% esperam redução. Outros 43% esperam manutenção. Cerca de 59% dos empresários industriais também esperam aumentar, nos próximos três meses, a procura por crédito para financiar as contas a pagar. A CNI explica que o movimento indica maior necessidade de alongamento dos prazos de pagamento de insumos e mercadorias. Em relação à margem líquida, que é o percentual de lucro líquido em relação ao faturamento, 64% das empresas esperam redução nos próximos três meses, indicando que os empresários preveem queda da rentabilidade. Outros 24% aguardam a manutenção do mesmo patamar, e apenas 11% preveem aumento. Como forma de mitigar a queda, 51% dos empresários afirmam que devem aumentar os preços de venda nos próximos três meses, ao passo que apenas 7% pretendem diminuí-los. Ainda assim, 43% das empresas esperam manter os preços de venda. “Elas também são pressionadas por maiores custos financeiros, mas não realizam esse repasse pela possibilidade de perder mercado, especialmente frente aos produtos importados”, avalia Maria Virginia, analista de Políticas e Indústria da CNI. Ela também afirma que a política monetária atual tem afetado as empresas industriais, principalmente, pelo encarecimento do crédito e pelo aumento das despesas financeiras. “Com o juro real em torno de 10% ao ano, as empresas enfrentam mais dificuldade para financiar capital de giro, rolar dívidas e sustentar investimentos”, afirma. O levantamento da confederação teve como objetivo captar a percepção dos industriais sobre os efeitos da política monetária nas empresas. Para a realização da pesquisa, foram consultadas 183 empresas industriais entre 25 de maio e 8 de junho de 2026, distribuídas por 26 setores industriais em 20 unidades federativas do Brasil. — Foto: José Paulo Lacerda/CNI
45% das indústrias esperam aumento da dívida bancária nos próximos meses, diz CNI
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria teve como objetivo captar a percepção dos empresários sobre os efeitos da política monetária no setor












