Quase 73,9% das empresas afirmaram que as condições da economia influenciaram negativamente o desempenho dos negócios no 1º quadrimestre do ano O desempenho da atividade no 1º quadrimestre de 2026 ficou abaixo das projeções feitas no fim do ano passado para 51,7% dos empresários ouvidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A constatação da consulta empresarial, divulgada nesta sexta-feira (3), contrasta com o crescimento da produção industrial observado no período, a partir dos dados da Produção Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando o ganho acumulado atingiu 4,4%. Segundo a CNI, a percepção de desaceleração da atividade industrial pelas empresas consultadas é reforçada por outros dados da pesquisa. A demanda doméstica ficou abaixo do esperado nos quatro primeiros meses do ano para mais de metade (57,2%) dos entrevistados, enquanto 53,2% apontaram queda dos pedidos em carteira e encomendas no período frente ao esperado. “Parte significativa das empresas consultadas não enxerga novos impulsos positivos sobre a sua atividade – considerando produção, demanda, emprego e decisões de investimento –, ainda que esse início de ano tenha mostrado alguns indicadores favoráveis”, avaliou Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI. A consulta também buscou entender por que o crescimento da produção industrial, bem como de outros indicadores importantes, como faturamento e horas trabalhadas na produção – esses medidos pela própria CNI –, não foram sentidos pela maior parte dos empresários consultados. Quase 73,9% das empresas afirmaram que as condições da economia influenciaram negativamente o desempenho dos negócios no 1º quadrimestre do ano. Enquanto isso, para 38% das empresas (38%) as condições atuais da companhia e/ou do setor não tiveram influência negativa relevante. Entre as empresas que apontaram alta ou manutenção da atividade no início do ano, 12% indicaram os avanços tecnológicos, maior automação e ganhos de produtividade como o principal fator por trás do movimento. Em seguida, aparece o aumento da demanda interna, citado por 8,6% das empresas consultadas, e a reposição de estoques, assinalado por 6,4%. Ainda assim, para 65,8% das empresas consultadas não foi identificado avanço ou sustentação da atividade industrial no período. “Entre os elementos mencionados pelos industriais estão os aumentos significativos de custos que se estabeleceram com a guerra no Oriente Médio, a obsolescência das máquinas e equipamentos, as dificuldades de concorrência com produtos importados e o alto nível de endividamento das empresas”, afirmou Nocko. Em relação ao futuro, a maior parte das empresas está cautelosa. Quando questionadas sobre como o avanço da atividade econômica no 1º quadrimestre deve repercutir no restante do ano, 37,4% delas disseram que ainda é cedo para avaliar; 30,4% afirmaram que o avanço deve se sustentar parcialmente, embora com riscos; 15,5% acreditam que a alta vai se sustentar; 9,8% acham que o crescimento é pontual ou temporário. A Consulta Empresarial sobre a Atividade Industrial no 1º Quadrimestre foi realizada entre 4 e 18 de maio e ouviu 271 empresas, de 24 das 27 unidades federativas. — Foto: Hugo Guillemard/Pexels