O que muda na gestão do patrimônio quando o volume de recursos deixa de ser a principal restrição? Essa é uma pergunta cada vez mais relevante em um contexto de grande transferência de riqueza entre gerações —segundo o UBS, banco suíço de investimentos e gestão de patrimônio, haverá uma transferência de US$ 9 trilhões (R$ R$ 46,08 trilhões) e de US$ 84 trilhões (R$ 430,1 trilhões) globalmente nos próximos 25 anos.
E, para essa mesma pergunta, o modelo tradicional de gestão patrimonial ainda oferece poucas respostas. A lógica que orienta a maioria dos portfólios de indivíduos e famílias de alto patrimônio é conhecida: maximizar o retorno ajustado ao risco (entendido como perda permanente de principal).
Para isso, o patrimônio é organizado em classes de ativos —renda fixa, renda variável, ativos reais, etc.— e, dentro delas, em fundos e investimentos específicos. Trata-se de um modelo robusto, testado e amplamente adotado.
Ele funciona bem quando o capital é escasso e o objetivo principal é proteção ou acumulação. Mas essa lógica começa a mostrar limites quando o patrimônio já cumpre, com folga, sua função financeira e deixa de ser uma preocupação.
Nesse ponto, as premissas de proteção e acumulação já não valem mais. A tolerância ao risco deixa de ser a principal restrição. A maximização de retorno perde centralidade. E outros elementos passam a ganhar peso, em especial: os valores e a visão de mundo do indivíduo ou da família.









