Campanha do PL prepara plano voltado ao eleitorado feminino, antídoto ao estrago causado por vídeo de Michelle 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o enteado e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Beto Barata/PL e Cristiano Mariz/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 22:16 "Flávio Bolsonaro Lança 'Brasil por Elas' para Atrair Voto Feminino" A campanha de Flávio Bolsonaro planeja o "Brasil por Elas", estratégia voltada ao eleitorado feminino para mitigar o impacto negativo do vídeo de Michelle Bolsonaro. O plano inclui uma "turnê" com lideranças femininas e propostas como remuneração pelo cuidado e incentivo ao empreendedorismo. Flávio busca se distanciar do pai, prometendo apoio às mulheres e enfrentando críticas sobre machismo e misoginia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os ataques de Michelle a Flávio Bolsonaro ainda mobilizam a coordenação da pré-campanha do PL. O último fim de semana foi tomado por reuniões para arredondar o Brasil por Elas, capítulo voltado às mulheres do programa de governo do senador. O lançamento prevê uma “turnê” por vários estados do país, nas quais Flávio será acompanhado da mulher, Fernanda, e de lideranças femininas da direita. Assim como o capítulo voltado à economia, a plataforma para as mulheres também é coordenada pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques, cotada tanto para vice na chapa do partido (desde que o Republicanos integre a coalizão, o que está bastante incerto) quanto para um assento no ministério, caso Flávio seja eleito. A ideia de remunerar a mulher pela sua dedicação quase exclusiva à chamada economia do cuidado é um dos eixos do programa. Na campanha, Flávio abraçará o discurso segundo o qual a emancipação feminina passa pela sua liberdade tanto em relação aos homens quanto ao Estado. Ele deverá sustentar que Lula, o PT e a esquerda pregam a submissão das mulheres a um paternalismo estatal que tolhe suas possibilidades e não remunera as jornadas extras a que elas estão submetidas no cuidado com os filhos, a casa e os idosos. O atrativo oferecido às eleitoras será o da conquista da autonomia para empreender e a compensação por esse trabalho invisível, por meio de um sistema de cashback que ainda está em desenvolvimento e deverá integrar o plano. A ideia da campanha será vender às mulheres o peixe da busca da mobilidade social por meio do incentivo ao empreendedorismo. Flávio prometerá o acesso prioritário das mulheres a uma plataforma digital que integraria os benefícios sociais e traria informações sobre linhas de crédito e consultoria jurídica para a abertura de pequenos negócios e teria, inclusive, um espaço para denúncia de violência doméstica. As pesquisas mostram que Flávio sofre da mesma dificuldade que o pai, Jair, sempre teve junto ao eleitorado feminino. O vídeo-desabafo de Michelle caiu como uma bomba e não há o menor sinal, mesmo depois da carta de Jair Bolsonaro, de que vá haver uma trégua entre os dois. Todas as tentativas de sensibilizar a ex-primeira-dama para um cessar-fogo foram tão infrutíferas quanto as tratativas entre Estados Unidos e Irã. O Brasil por Elas foi pensado como um antídoto ao estrago provocado pelas revelações da madrasta sobre os bastidores das péssimas relações da família. Flávio deverá participar de eventos com outras lideranças femininas em vários estados. Ele também está convencido a ter uma mulher como vice, e intensificará as declarações para tentar se descolar do pai e de outros expoentes do bolsonarismo, como o influenciador Paulo Figueiredo, no discurso a respeito de direitos das mulheres. Vem sendo municiado pela mulher, Fernanda, e por outras apoiadoras com dados sobre feminicídios e violência contra as mulheres e desigualdade de acesso entre gêneros ao mercado de trabalho. Está sendo preparada uma fala em que ele reconheça que a defesa exclusivamente da meritocracia não dá conta das desigualdades entre gêneros no Brasil. O que se debate é a forma de fazer isso sem que ele replique os conceitos do feminismo, associado pela direita à agenda progressista — o que poderia levar a questionamentos nas bolhas mais radicalizadas da direita. O time de mulheres na campanha também deverá ser ampliado e empoderado. A ex-secretária de Economia de Goiás, a economista Cristiane Schmidt, é um reforço que deve se juntar à campanha do PL em breve. Sua esperada opção por Flávio em detrimento do ex-governador goiano é vista como um trunfo para combater a ideia de que as mulheres não aderem ao bolsonarismo. Resta saber se toda essa estratégia colocada na prancheta soará verossímil quando posta em prática, sobretudo diante do histórico de ações e declarações de caráter machista e misógino da família e do entorno mais próximo.