Ministério do Meio Ambiente deu 30 dias para estados informarem o que farão para evitar tragédias climáticas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Incêndios florestais no Maciço da Pedra Branca, no Rio, durante período de seca — Foto: Márcia Foletto/02/10/2024 O governo fez bem ao estabelecer o prazo de 30 dias para que estados e o Distrito Federal informem seus planos de prevenção e combate aos incêndios florestais que poderão ocorrer devido ao El Niño. O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, já está em formação e deverá ganhar força no decorrer dos próximos meses, segundo previsões dos principais serviços meteorológicos. O Ministério do Meio Ambiente menciona um ponto-chave na decisão que estabeleceu o prazo: a articulação dos planejamentos federal e estaduais com a finalidade de preservar meio ambiente e áreas agrícolas, além de proteger a população. Desde abril, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) passou a alertar o governo sobre a intensidade do fenômeno neste ano e no início do primeiro semestre de 2027. No Brasil, ele provoca secas ao Norte e chuvas no Sul. É preciso, portanto, estar preparado para incêndios e enchentes. Os cientistas usam a temperatura da superfície do Pacífico numa região batizada Niño 3.4 como termômetro do fenômeno. Em 2024, a temperatura em Niño 3.4 subiu 2 °C, caracterizando um evento de forte intensidade, que contribuiu para a enchente histórica no Rio Grande do Sul, com mortes, desabrigados e destruição. Houve ainda secas na Amazônia e no Pantanal, varridos por incêndios devastadores. Um balanço feito pelo Monitor do Fogo do projeto MapBiomas revelou que 30,8 milhões de hectares foram atingidos pelas chamas, área maior que a da Itália. Foi a maior área queimada desde 2019. Além disso, 73% da região atingida era de vegetação nativa, com destaque para florestas, que representaram 25% do que foi calcinado. Entre janeiro e dezembro, queimaram 6,7 milhões de hectares de pastagens usadas pela agropecuária, 15% mais que o estado da Paraíba. O fenômeno em formação pode repetir o de 2024 ou alcançar intensidade maior. Na última aferição feita em Niño 3.4, divulgada pelo Serviço Nacional do Tempo dos Estados Unidos, o termômetro já havia subido 1,2 °C, ante 0,9 °C em maio e entre 1,2°C e 1,7°C em junho. A tendência é de alta. “Há 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, que poderá ser incluído entre os eventos recordes ocorridos desde 1950”, informou o serviço meteorológico americano. No final de junho, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) chamou a atenção para a coincidência entre um El Niño destrutivo e a fragilidade da segurança alimentar no mundo, provocada por dificuldades ligadas ao aquecimento global. O cenário mundial ressalta ainda mais a importância da mobilização do governo no Brasil. É provável que, daqui para frente, o estado de alerta tenha de ser permanente.
Governo demonstra atenção ao ativar plano de prevenção contra El Niño
Ministério do Meio Ambiente deu 30 dias para estados informarem o que farão para evitar tragédias climáticas







