Mediana para recebíveis com atraso superior a 90 dias entre varejistas com operações financeiras atingiu 14,4% no 1º tri, cerca de 50% acima dos níveis observados antes da pandemia Para a Fitch, financeiras ligadas ao varejo devem manter abordagem conservadora na concessão de crédito — Foto: Pexels O patamar de inadimplência do varejo brasileiro não deve melhorar em 2026, dado o nível elevado de endividamento das famílias e a perspectiva de juros elevados por mais tempo. É o que destaca relatório da Fitch Ratings, desta segunda-feira (13). A agência de classificação de risco afirma que a mediana do setor para recebíveis com atraso superior a 90 dias entre varejistas com operações financeiras atingiu 14,4% no primeiro trimestre de 2026, cerca de 50% acima dos níveis observados antes da pandemia. A instituição espera que essa métrica caia para algo entre 12% e 13% em 2027, assumindo que não haja nenhum choque externo, que a inflação arrefeça para cerca de 4% e que a taxa de juros fique abaixo da de 2026. “Os riscos potenciais para esse cenário incluem uma mudança no apetite ao risco das empresas, com uma retomada mais rápida da concessão de crédito, ou uma convergência mais lenta da inflação e das taxas de juros.” Segundo a Fitch, a Guararapes, por meio da financeira Midway, apresenta o índice mais alto de inadimplência entre os pares, de 18,3% no primeiro trimestre, mas que caiu do pico de 24% registrado em 2023. “A C&A também tem registrado uma trajetória de melhora, com seu índice de inadimplência recuando para cerca de 13%, ante um pico de aproximadamente 20% em um estágio anterior, e uma cobertura por provisões para devedores duvidosos superior a 100% dos recebíveis inadimplentes”, afirma a agência. Outras varejistas, como o Magazine Luiza e a Casas Bahia, têm indicadores de inadimplência sob controle, abaixo de 8%, segundo a Fitch. Nesse contexto, a Fitch acredita que as financeiras ligadas ao varejo provavelmente manterão abordagem conservadora na concessão de crédito, ajustando limites e reprecificando riscos, em vez de buscar crescimento mais acelerado. Na visão da agência, a preservação da qualidade dos ativos e da rentabilidade deve continuar como prioridade das financeiras vinculadas ao setor de varejo.