Segundo a agência, concessionárias de rodovias com forte exposição ao agronegócio são as mais expostas aos eventos climáticos extremos Fitch: dinâmica do El Niño pode deprimir volumes de transporte de grãos, lembrando o impacto da seca de 2024 no Centro-Oeste — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil A chegada do El Niño traz riscos para as notas de crédito do setor de transportes na América Latina, podendo afetar tanto a infraestrutura física quanto a demanda por movimentação de cargas, diz a Fitch Ratings. Os analistas Astra Castillo, Fernanda Rezende e Yee Man Chin avaliam que a exposição ao risco de demanda é crítica em corredores intensivos em agricultura, onde o El Niño pode prejudicar a produção e diminuir os volumes de carga. Eles afirmam que concessionárias de rodovias com forte exposição ao agronegócio são as mais expostas aos eventos climáticos extremos, devido à sua alta dependência do tráfego de produtos agrícolas. A dinâmica do El Niño pode deprimir os volumes de transporte de grãos, lembrando o impacto da seca de 2024 no Centro-Oeste, que afetou as colheitas, reduziu o tráfego nas rodovias e levou a agência a rebaixar notas de empresas do setor na época. Eles ressaltam que eventos climáticos ligados ao El Niño podem ser qualificados como “força maior” em muitas concessões de infraestrutura, acionando mecanismos de reequilíbrio de contratos. Os portos marítimos também enfrentam vulnerabilidades físicas, como danos em estradas de acesso e o aumento das necessidades de dragagem e manutenção provocados por inundações, afirma a agência. Já as ferrovias apresentam o menor risco de receita entre todos os subsetores de transporte, mantendo uma vantagem estrutural de demanda mesmo durante quebras de safra, segundo os analistas. Especificamente no mercado brasileiro, as concessionárias ferroviárias se beneficiam de contratos com pagamento mínimo garantido (“take-or-pay”) e acordos de volume mínimo com clientes principais para reduzir riscos.